Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 08/11/2021
A internet proporcionou uma revolução para diferentes estudos e formas de se conhecer, o que se dá em virtude dos intermináveis acervos de pesquisas científicas. Não obstante toda a informação disponível, observa-se, no século XXI, uma intensa onda de uso indevido de medicamentos, fortemente influenciada pela rede informacional digital. Logo, percebe-se que tal utilização incorreta deriva de uma ignorância acerca dos impactos de tratamentos caseiros, além da transformação social causada pelo avanço da tecnologia virtual.
Nesse contexto, vale ressaltar que a automedicação está associada à falta de conhecimento científico populacional a respeito das consequências. Por conta disso, nota-se a gradativa ineficiência de diversos antibióticos como a penicilina, descoberta por Alexander Fleming, uma vez que as bactérias a serem neutralizadas se tornam resistentes devido ao consumo desregulado praticado pela população. Sob essa ótica, o desconhecimento dos efeitos de um tratamento descontrolado é responsável por dificultar o desenvolvimento de drogas para o combate de doenças bacterianas, por exemplo. Sendo assim, convém destacar que já existem artigos na internet sobre o assunto, porém, é necessário levar tais informações para a população, com a intenção de reduzir os impactos a longo prazo.
Em paralelo, pontua-se que a crescente digitalização do mundo contemporâneo acarreta em mudanças no ritmo de vida, o que altera as interações sociais entre as pessoas. Desse modo, o pensador Zygmunt Bauman disserta sobre tais alterações com a ideia da volatilidade de relações, a qual indica que as transformações tecnológicas da globalização influenciam o modo como os indivíduos socializam com os elementos da sociedade. Nesse raciocínio, tal variação das ligações sociais também mostra seus efeitos na interação entre os cidadãos que buscam medicações e as fontes em que vão buscá-las. Dessa forma, aqueles que antigamente procuravam tratamentos somente por indicação médica, passaram a recorrer a ferramentas digitais que, apesar de conterem informações relevantes, frequentemente apresentam resultados incompatíveis com o caso do paciente.
Portanto, tem-se que a tecnologia é um importante fator para a medicina moderna e deve alcançar as pessoas, porém, pode ser uma ferramenta negativa sem a devida consciência sobre o seu uso. Assim, cabe ao Ministério da Saúde — órgão responsável por apresentar os meios de garantir a plenitude física da população —, ampliar o conhecimento geral sobre o uso regulado de medicamentos no país. Isto pode ser realizado por meio da criação de conteúdos digitais sobre diferentes tipos de drogas, além de canais de contato com profissionais especializados, a fim de amenizar a prática da automedicação e de garantir resultados precisos para o tratamento da população.