Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 07/11/2021
No Brasil, com a popularização do celular as pessoas tem se tornado cada vez mais dependentes deste aparelho devido os seus atrativos, como a busca fácil e rápida de informações e por consequência, a cibercondria, que consiste na ansiedade infundada em relação ao estado do bem-estar provocada pela visita a sites médicos. Segundo o jornal Estadão, mais de 50 milhões de brasileiros recorrem primeiro a internet ao se depararem com um problema de saúde. Dessa forma, é válido, analisar os fatores que sustentam tal problemática, visando mitigá-los.
Em primeiro lugar, a população insiste em obter informações na internet, muitas vezes, sem uma consulta para lhe direcionar a devida causa de seu problema. Nesse contexto, percebe-se que o sistema falho de saúde pública corrobora com o hábito da automedicação, é utilizada por cerca de 21% dos jovens menores de 16 anos - segundo o ICTQ (Instituto de pós-graduação para profissionais do mercado farmacêutico). Quadro esse influenciado, principalmente, por uma negligencia do Poder Público para com a educação.
Vale ressaltar, dados do Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE), que mostra que apenas 25% dos brasileiros têm plano de saúde e 80% está conectado à internet, essa população é sedenta por informação, na falta de acesso ao sistema de saúde, os cidadãos utilizam o ciberespaço para tentar solucionar seus problemas. Ademais, o cenário, ao mesmo tempo que a ajuda a democratizar a informação e empoderar o paciente, traz também riscos e prejuízos. Com o alto volume de informação que circula pelas redes, parte dela incorreta ou exageradas. Outrossim, podemos citar como consequências da cibercondria a automedicação, tratamentos alternativos e sem embasamento científico, a interprentação de exames de forma equivocada e o surgimento dos cibercondríacos, condição em que a pessoa, a partir de informações da internet, fica obessesiva ou angustiada com a ideia de ter uma doença grave.
Nesse sentido, urge que o Ministério da Saúde, invista em tecnologias, e desenvolva uma plataforma para que os médicos consigam atender uma maior demanda de pacientes via internet, facilitando o acesso de todos a saúde e, quando houver situações mais graves, o próprio médico pode encaminhar o paciente ao hospital para receber o seu atendimento e realizar exames. Ademais, caso o Estado opte por mais atendimentos pela internet, como resultado, o SUS conseguiria fornecer um melhor atendimento, visto que situações mais simples seriam resolvidas e somente atenderiam pessoas em situações mais graves, fornecendo um serviço de qualidade e democrático. Desse modo, reduzindo o número de pessoas recorrendo a internet como tratamento, como citado no primeiro parágrafo.