Cibercondria: a doença da era digital

Enviada em 09/11/2021

Na indústria 4.0, novas tecnologias são criadas para suprir as necessidades da população, a qual está diariamente usufruindo dos benefícios da rede mundial de computadores. Entretanto, com o advento da internet, o compartilhamento de informações tornou-se facilmente acessível, o que faz com que muitas pessoas deixem de buscar ajuda de especialistas e confiem em sites pouco seguros. Por conseguinte, cabe analisar a forma como a cibercondria se manifesta na sociedade contemporânea.

Em primeiro plano, hipocondria é um transtorno psicológico, no qual o indivíduo acredita que possui uma doença, mesmo sem nenhuma confirmação médica. Ademais, a morosidade do governo em disponibilizar um sistema de saúde público eficiente faz com que a população busque por informações na internet, visto que a espera por uma consulta com um especialista é difícil e demorada. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista Thomas Hobbes, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a saúde.

Outrossim, é fundamental apontar a disseminação de informações falsas como impulsionador da cibercondria no Brasil. Isso porque muitos sites contêm fontes pouco confiáveis e sem a confirmação de um médico sobre sintomas, profilaxias e tratamentos. Diante disso, a população faz uso de medicamentos, cuja eficácia não é comprovada - pondo em risco a saúde, em razão dos efeitos colaterais dos remédios -, além de confiar sintomas e doenças mostrados em pesquisas não verificadas por órgãos oficiais. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Portanto, cumpre reiterar que a cibercondria é uma problemática que necessita ser tratada com urgência. Diante disso, urge que o Estado - no exercício de seu papel constitucional - garanta a eficiência do Sistema Único de Saúde (SUS) por meio de políticas públicas, a fim de possibilitar melhor acesso à saúde e evitar que a população utilize a internet como principal fonte de informações médicas. Ademais, é necessário que os órgãos públicos invistam na fiscalização de sites muitos acessados que apresentem dados com fins medicinais, para que os internautas evitem absorver informações falsas.