Cibercondria: a doença da era digital
Enviada em 09/11/2021
Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma pedra morro acima etternamente. Todos os dias, Sísifo atingia o topo do rochedo, contudo era vencido pela exaustão e a rocha retornava à base. Hodiernamente, o mito assemelha-se à luta cotidiana de parte da população brasileira a qual busca ultrapassar as barreiras que a separa do direito à saúde. Nesse contexto, é nítido que a cibercondria é um problema no Brasil, causado, infelizmente, devido não só ao silenciamento em torno da questão, mas também à negligência governamental.
Desse modo, a falta de informações é um desafio presente no problema. Segundo a filósofa Djamila Ribeiro, é preciso retirar uma situação da invisibilidade para que soluções sejam promovidas. Porém, há um silenciamento instaurado em torno da questão da cibercondria, visto que não se fala sobre o assunto nas mídias de massa, o que impede a sociedade de saber sobre os perigos de autodiagnosticar-se e automedicar-se. Assim, urge tirar essa situação da invisibilidade para atuar sobre ela, como defende a pensadora.
Em paralelo, a falta de investimento governamental é outro entrave no que tange à problemática. O filósofo Zygmunt Bauman diz que os valores da sociedade estão sendo colonizados pela lógica de mercado. Tal constatação é nítida na situação da cibercondria, uma vez que a precária situação da saúde pública - causada pela falta de investimento estatal - impulsiona a população a buscar respostas sobre seu bem-estar na internet. Desse maneira, inverter a lógica e colocar os valores sociais em primeiro lugar é urgente.
Portanto, medidas são necessárias para resolver essa problemática. Para isso, o Poder Público deve investir na melhoria do Sistema Único de Saúde e dos hospitais públicos por meio da distribuição de verbas a fim de reverter a supremacia de interesses mercadológicos que impera. Dessa frma, espera-se que a cibercondria seja amenizada na sociedade brasileira.