Combate ao assédio moral no trabalho
Enviada em 09/06/2021
No filme “Cruella”, Baronesa, estilista renomada, usa da altíssima hierarquia que tem em sua loja para humilhar seus funcionários e fazê-los servirem seu almoço, tratando-os como inferiores. Infelizmente, práticas semelhantes não ocorrem somente na ficção e são muito comuns na realidade, sendo denominadas de assédio moral. Tais comportamentos abusivos no ambiente de trabalho devem ser duramente combatidos, pois causam danos psíquico-emocionais aos trabalhadores e, por não serem especificamente abarcados pela lei, são perpetuados pela sensação de impunidade dos agressores, tornando mais difícil a resolução do problema.
Em primeira análise, é notório que ao serem expostos a situações constantemente humilhantes, os colaboradores podem desenvolver inúmeras doenças psicossomáticas, como estresse e síndrome de Burnout. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 2019, 42% dos profissionais brasileiros alegaram terem sofrido algum tipo de assédio moral em seus empregos e, devido às consequências, isso foi colocado como um problema de saúde pública. Logo, vê-se a gravidade dessa prática que, mesmo no ambiente de trabalho, afeta a vida pessoal das vítimas.
Ademais, é necessário salientar que o fato de não existir uma lei específica para esse crime causa uma sensação de impunidade aos assediadores. Um exemplo da falta de maior penalização a essa prática ocorreu no final de 2020, quando Sílvia Abravanel humilhou seus funcionários durante seu programa, chamando-os de “idiotas”, mas continuou como responsável por apresentá-lo, sem maiores retaliações jurídicas. Assim, infere-se a necessidade de uma legislação eficaz para impedir que episódios como esse se repitam e causem danos a mais trabalhadores.
Portanto, constata-se que o assédio moral no trabalho é extremamente danoso e deve ser fortemente combatido. Para tanto, cabe ao Poder Legislativo, responsável pela elaboração das leis, criar uma específica para esse crime, por meio de uma Assembleia Constituinte, com o intuito de desmantelar a cultura da impunidade que permeia entre os assediadores. Além disso, é importante que o setor de Recursos Humanos das empresas oriente e conscientize os funcionários para que esses denunciem e procurem auxílio psicológico caso sejam assediados. Desse modo, o ambiente profissional tornar-se-á mais saudável e adequado a todos.