Combate ao assédio moral no trabalho
Enviada em 08/08/2021
No filme O Diabo Veste Prada, a protagonista Andrea conseguiu um emprego como co-assistente de Miranda, editora-chefe de uma das maiores revistas de moda de Nova Iorque. Ao longo do filme, observamos uma série de comportamentos abusivos por parte de Miranda, como cobranças excessivas, ameaças e humilhações. Tais comportamentos podem ser classificados como assédio moral e, infelizmente, é uma realidade vivida e/ou observada por muitos brasileiros, pois, muitas vezes, não há suporte ao funcionário que está sendo assediado e há falta de informação sobre o assunto. Como o trabalho é essencial, não somente pela manutenção financeira, mas também pela dignificação da vida, o assedio moral deve ser combatido.
Em primeiro plano, vale ressaltar que muitos trabalhadores não possuem informação sobre o que é o assédio moral e como agir sobre ele. O assedio é caracterizado por condutas abusivas, situações humilhantes, muitas vezes disfarçadas de “brincadeiras” que ocorrem de forma repetitiva, sistemática e direcionada e que ferem a dignidade do indivíduo. A falta de conhecimento sobre o assunto faz com que muitos indivíduos tolerem esse tipo de comportamento até o momento em que não suportam mais, adoecem ou optam pela demissão. Informações sobre o que é o assédio moral, como denunciar e como será o processo da denúncia devem ser explícitas dentro da empresa. Pois assim, nenhum indivíduo estará desinformado e despreparado quando alguma situação de assédio ocorrer.
Em segundo plano, há falta de um suporte adequado ao funcionário que, como depende do serviço, não denuncia com medo de ser demitido ou de nada mudar. Há diferentes tipos de assedio moral e conforme pesquisa ICTS, os líderes são os mais denunciados, cerca de 75,4%. O chamado assedio moral vertical e descendente, isto é, atitudes abusivas por parte dos chefes em relação aos seus subordinados é o mais comum. O líder, aquele que deveria oferecer segurança e dar o exemplo, na maioria das vezes é o assediador e se a empresa não possui um suporte independente o trabalhador encontra-se desamparado, pois não há a quem recorrer.
Portanto, é de suma importância que medidas sejam tomadas para combater o assédio moral no trabalho. Cabe ao Governo estabelecer leis que favoreçam o trabalhador, que torne obrigatório, por exemplo, a existência de um canal de denúncias e de um comitê de ética nas empresas. E não somente isso, os comitês devem ser capazes de agir perante as denúncias, devem investigar e tomar decisões com tolerância zero aos assédios. Dessa forma, situações como as que aconteceram com Andrea em O Diabo Veste Prada e que acontecem com milhares de brasileiros serão cada vez menos frequentes.
Por fim, é imprescindível que medidas sejam tomadas para combater o assédio moral no trabalho. Cabe ao governo, por meio da criação de legislações, garantir que as empresas tenham formas de suporte ao trabalhador. A título de exemplo, a criação de um comitê de ética e de um canal efetivo de denúncias dentro da empresa, que respeite a privacidade dos envolvidos durante a investigação, e que realmente tome atitude em relação ao acontecido, considerando tolerância zero ao assedio moral. Por consequência, os casos de assedio irão diminuir, criando assim ambientes de trabalhos mais saudáveis, diferentemente do que é visto no filme O Diabo Veste Prada.