Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 10/06/2021

O período colonial brasileiro foi marcado pela relação de trabalho escravista, em que os escravos sofriam violência física e moral por parte dos seus patrões. De modo análogo, hodiernamente, passados muitos anos do período escravatório, ainda persiste na sociedade o assédio moral no ambiente de trabalho, como humilhações, menosprezo e subordinação. Nesse contexto, asseguram-se a sociedade hostil hodierna e a deficiência educacional como pilares da problemática.

De início, importa discutir a influência da hostilidade e egoísmo humano nas relações sociais como um fator que agrava a problemática. Nessa linha de raciocínio, de acordo com as ideias do filósofo Zygmunt Bauman, em sua obra, Modernidade Líquida, as relações atuais são repletas de egoísmo, individualismo e efermeridade. Com base nisso, por permear a individualidade no mundo atual, muitas pessoas acabam agindo com ignorância no âmbito trabalhista, ofendendo moralmente seus colegas de profissão, usando um cargo elevado na empresa para diminuir o próximo, prejudicando seus colegas para se sobressair em diversas situações. Tais ações de assédio moral no trabalho gera um clima ameaçador ao funcionário que sofre perseguição moral. Sob essa ótica, é oportuno realizar medidas que mitiguem essa questão.

Outrossim, vale ressaltar que o sistema educacional não é igualitário para todos os cidadãos, e isso pode levar a subordinação nas relações trabalhistas. Nesse viés, segundo o antropólogo Darcy Ribeiro, o Brasil, último país a acabar com a escravidão, tem como herança uma sociedade enferma de desigualdade, de descaso. Infere-se, assim, que a frase citadina reflete a situação de disparidade da sociedade, pois aqueles que não possuem uma formação educacional qualificada, são submetidos a aceitarem condições de trabalho informal humilhantes, em que o empregador se apropria da fragilidade intelectual do trabalhador e o sobrecarrega excessivamente, desmoraliza-o e o funcionário, por não ter outras opções ou por não reconhecer que está sofrendo assédio moral, continua a realizar sua função em meio a condutas abusivas. Logo, se faz necessário que a educação seja igualitária, capaz de trazer mais oportunidades para que as pessoas que sofrem de assédio moral em trabalhos informais.

Diante do exposto, medidas são necessárias para combater o assédio moral nas relações de trabalho. Para isso, o Ministério do Trabalho deve realizar um projeto de conscientização nas empresas e trabalhos informais, por meio de mídias sociais, internet, TV e jornais, para que abordem a importância de respeitar os colegas, no intuito de levar aos trabalhadores do país os benefícios de boas relações, o valor de ser educado com os  colegas, independente de seu cargo ou função, a fim de evitar o individualismo e o abuso de autoriedade. Sendo assim, poder-se-á mitigar o assédio moral.