Combate ao assédio moral no trabalho
Enviada em 10/06/2021
Olhos cansados, rostos tristes, expressões vazias. Esse é o cenário ilustrado pela pintora Tarsila do Amaral em sua obra “Os Operários”, realizando duras críticas às relações de trabalho e empregatícias no país. Metáfora extremamente pertinente da realidade, o quadro aborda um tema de muita relevância ao corpo social, o qual pode ser associado ao assédio moral no trabalho. Nesse sentido, essa situação ocorre em razão não só da mentalidade capitalista, mas também da educação tecnicista.
Em uma primeira análise, vê-se que a objetificação do trabalhador, o qual passa a ser entendido como uma ferramenta de produção, cristaliza a problemática. Nessa perspectiva, segundo Michael Foucault, filósofo francês, o poder articula-se em uma linguagem que cria mecanismos de controle e coerção, os quais aumentam a subordinação. Sob essa ótica, constata-se que o sistema socioeconômico vigente faz com que o único objetivo da sociedade seja o lucro e o progresso econômico, mesmo que isso se alicerce em comportamentos antiéticos, que desumanizam o funcionário.
Outrossim, a falha educacional internaliza a hierarquia social e, portanto, promove a legitimação de opressões no ambiente profissional. Nesse viés, na obra “Pedagogia do Oprimido”, o educador Paulo Freire sustenta que a educação tradicional oprime o sujeito para levá-lo a um estado de obediência. Logo, torna-se evidente que há a formação educacional de indivíduos passivos a lógica opressora do mercado de trabalho, os quais aceitam as condições de violação e nem mesmo as questionam, naturalizando esse quadro de assédio moral.
Diante dos fatos supracitados, é perceptível que o assédio moral no trabalho é um tema importante e que carece de soluções. Portanto, cabe ao Governo Federal criar um Programa Nacional de Defesa do Trabalhador, o qual atue por meio de um Fundo de Investimentos, que patrocine empresas contratantes de serviços para oferecerem um plano de carreira mais humanizada, ao fornecer ao trabalhador garantias e bonificações pelos seus serviços, a fim de se mitigar essa cultura de exploração. Sendo assim, o contexto vivenciado será gradativamente minimizado e se distanciará da realidade exposta em “Os Operários”.