Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 15/09/2021

O filme “Cruella”, da companhia multinacional Disney, retrata a história de uma talentosa estilista que ganha a oportunidade de trabalhar com uma figura do mundo da moda. Entretanto, a produção cinematográfica mostra um conturbado ambiente profissional, marcado pela intensa desmoralização dos trabalhadores. Fora da ficção, o assédio moral no meio profissionalizante ainda é uma preocupante realidade, uma vez que objetiva denegrir a imagem da vítima. Nesse sentido, tanto a alienação do empregado, quanto a excessiva hierarquização nesses espaços corroboram a persistência dessa problemática no Brasil.

Em primeira análise, cabe ressaltar o impacto da falta de conhecimento acerca das leis trabalhistas na permanência do imbróglio, já que cria uma atmosfera propícia ao comportamento abusivo. Segundo o filósofo Karl Marx, a ideologia é um mecanismo de dominação usado para manter o proletariado em estado de letargia no tocante aos reais interesses capitalistas. Nessa perspectiva, a alienação econômica, associada à desinformação em relação aos direitos constitucionais de cada cidadão, facilita o assédio moral no recinto de trabalho. Desse modo, a pessoa empregada permite ser publicamente humilhada pelo chefe, muitas vezes, por medo de ser demitida, o que pode gerar, consequentemente, sequelas irreversíveis à saúde psicológica da vítima.

Ademais, é válido pontuar a exclusão do funcionário como um efeito da estratificação profissional, visto que aqueles com um cargo maior se sentem confortáveis em diminuir o subordinado, facilitando, assim, a manutenção do estorvo. O filósofo Martin Heidegger defende ser impossível viver em uma sociedade sem existir o cuidado mútuo entre os seres humanos. No entanto, em oposição às ideias do alemão, é notório como o assédio moral prejudica a convivência harmônica e saudável na coletividade. Sob este viés, o funcionário sofre condutas autoritárias por parte do chefe, haja que este possui maior poder hierárquico dentro da pirâmide organizada nesse núcleos.

Verifica-se, portanto, a necessidade de medidas capazes de reverterem esse alarmante cenário em todo território tupiniquim. Para tanto, urge que as instituições escolares, em parceria com as famílias, orientem, por intermédio de palestras ou rodas de dialógo nos ambientes de ensino, os partícipes desse grupo social a respeito do intenso processo de alienação presente na comunidade moderna, no intuito de desenvolver jovens mais críticos. Outrossim, é imprescindível que o Ministério do Trabalho, por meio da cessão de capital público aos órgãos competentes, desenvolva projetos de fiscalização, que objetivem minimizar gradativamente os casos de abuso moral nos locais de trabalho dos municípios brasileiros. Destarte, será possível evitar situações como a retratada no filme norte-americano “Cruella”.