Combate ao assédio moral no trabalho
Enviada em 11/06/2021
A série de televisão “Adam Ruins Everything” tem como premissa explicar como e por que certos aspectos da cultura mundial se tornam negativos. Em um dos episódios, o protagonista Adam visita uma firma e analisa tudo que faz parte de um conjunto de práticas nocivas e o assédio moral é um dos tópicos abordados. De fato, abusos no ambiente de trabalho é entendido, inclusive no Brasil, como algo normal devido à cultura do trabalho excessivo que dita regras de condutas contraditórias quanto ao que é ou não assédio.
Segundo o advogado Ricardo Basile, o assédio moral é, na maioria das vezes, devido às diferenças na hierarquia entre os funcionários. Apesar de, sim, existir o assédio ascendente, ele não é tão comum quanto o que é praticado pelos superiores. Devido ao fato de as humilhações serem feitas por aqueles que ostentam o poder no ambiente, muitos não são capazes de perceber que estão sendo vítimas. A empresa Enron, por exemplo, que construiu o gasoduto entre Brasil e Bolívia, ficou conhecida por não condenar os assediadores porque os empregados não sabiam que estavam sendo alvos de abusos, como relatado no livro “The Smartest Guys In The Room”, publicado em 2003.
Não obstante, alguns têm dificuldade para comprovar que foram alvo, como explica o site “JusBrasil”. Como assédio pode ser definido como algo feito com más intenções desde o princípio para desestabilizar alguém, o procedimento para denúncia torna-se relativo e as ações a serem tomadas - como entrar em contato com o departamento de Recursos Humanos - necessitam de provas que, muitas vezes, são difíceis de serem obtidas.
Portanto, o Ministério da Economia, através da Secretaria do Trabalho e políticas públicas, deve incentivar as empresas à contratação de psicólogos e especialistas com a finalidade de diferenciar, de forma explícita, o que constitui assédio daquilo que é considerado uma cobrança normal de um empreendimento. Assim, será possível diminuir o número de casos.