Combate ao assédio moral no trabalho
Enviada em 16/06/2021
Para que se combata o assédio moral no trabalho é preciso entender suas causas. Entre lapsos de julgamento e relações assimétricas, situações em que não se respeite a dignidade alheia são facilmente concretizadas.
O poder desempenha um papel importante em cenários de assédio. Apesar de inicialmente tido como monopólio do Estado, Foucault percebe que o poder está nos “micro-espaços, ou seja, nas relações interpessoais. Além disso não se trata de algo que se possua, mas sim de um exercício, dessa forma, qualquer um em qualquer posição pode exercer poder sobre outrem.
Em adição, ao analisar a natureza do mal, Hannah Arendt defende que seres humanos, muitas vezes, acabam por realizar ações condenáveis devido a lapsos no pensamento, se isentando da culpa e apenas fazendo como são instruídos -seja por ordem direta ou pela cópia de comportamento de familiares e colegas-.
Consequentemente, no ambiente de trabalho, uma vez que, por qualquer animosidade, inicia-se o assédio moral este tende a se perpetuar de diversas formas. Assim como ao normalizar o desrespeito à integridade moral, deixa-se de punir os assediadores, sinalizando que seu comportamento é aceitável, e pior, caso sejam líderes, suas ações serão vistas como exemplares.
É preciso, então, que reuniões organizadas por sindicatos estabeleçam as condições para um ambiente de trabalho saudável. Além de conscientizar trabalhadores sobre a questão do assédio moral, deve-se estabelecer meios para facilitar a denúncia de tais casos, a fim de garantir o direito constitucional à dignidade.