Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 21/06/2021

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que no Brasil, o combate ao assédio no trabalho apresenta  barreiras, as quais dificultam  a concretização dos planos de More. Esse cenário pode ocasionar tanto problemas na questão econômica, quanto na questão psicológica. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do  pleno funcionamento da sociedade.

Precipuamente, é fulcral pontuar que a questão econômica deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, percebe-se, que os efeitos do assédio, podem ser avassaladores, onde à vítima pode perder o emprego e encontrar-se em situação de difícil recondução ao ambiente laborativo, visto que empregador ao passar a manifestar os sintomas da agressão que lhe é perpetrada tende a ausentar-se do trabalho por meio da apresentação de atestados que evidenciam os danos psicofísicos sofridos, conforme estudos feitos pela Dra. Marie-France.

Ademais, é imperativo ressaltar a questão psicológica como impulsionador do problema. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), saúde é o estado de completo bem estar físico, social e mental e não somente a ausência de doença. Partindo desse pressuposto, uma vez que a vítima injustamente atingida em sua dignidade, suporta significativas perdas, passando a viver no ambiente de trabalho tenso e hostil, em constante estado de incômodo psicofísico, capaz de gerar distúrbios psicossomáticos, refletindo em desmotivação, stress, isolamento e prejuízos emocionais de toda ordem, comprometendo sua vida pessoal, profissional, familiar e social conforme nos diz a autora Maria Aparecida Alkimin. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à constituição de um mundo melhor. Destarte, o Poder Público deve criar medidas que fiscalizem e evitem o assédio, como a criação de leis e atribuição de multas para àqueles que não cumprirem com os anseios da constituição. Como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação, deve instituir, em locais de trabalho, escolas e em rodas de conversas, palestras ministradas por psicólogos, que discutam o combate ao assédio, a fim de que o tecido social se desprenda de certos tabus para que não viva a realidade das sombras, assim como na alegoria da caverna de Platão.