Combate ao assédio moral no trabalho
Enviada em 20/06/2021
No filme “O diabo veste Prada”, Andy é uma recém-contratada de uma renomada revista de moda. Entretanto, apesar de se orgulhar dessa conquista, a protagonista questiona sua permanência na empresa após sofrer diversos abusos psicológicos provenientes da sua chefe, a qual busca sempre maximizar a produtividade dos seus funcionários. Fora da ficção, a insuficiência legislativa e o desentendimento populacional intensificam o abuso moral nas relações trabalhistas. Esse fato, torna a realidade de muitos trabalhadores semelhante a de Andy, constituindo, assim, mais uma mazela contemporânea brasileira.
Antes de tudo, a negligência do Estado contribue para a criação de uma rede indevida de relações sociais no ambiente de trabalho. Segundo o jornal “Correios”, 2 mil denúncias de abusos trabalhistas foram feitas entre 2015 e 2019, sendo que apenas 23% dessas seguiram para investigação. Desse modo, apesar da existência de leis na CLT para amparar os empregados que sofreram assédios morais no trabalho, a ausência de fiscalização do cumprimento dessas normas e a dificultade comprovatória da veracidade dos casos estruturam uma legislação falha, contribuindo para a permanência desse impasse.
Outrossim, as negativas relações de trabalho são impulsionadas também pelo desentendimento da população acerca das derivações desse empecilho, o qual mantém esse conjunto social maléfico gerando enfermidades psicológicas nos empregados. O médico Dráuzio Varella, ao dissertar sobre o assunto, ressaltou que a saúde mental do cidadão é crucial no desenvolvimento de suas atividades. Portanto, uma convivência insalubre não só prejudica o empregado mas também o empregador, visto que a improdutividade não acarreta rendimento. Ademais, como esse complexo de constrangimento e intimidação estimula doenças psicossomáticas, como depressão e ansiedade, é indubitável a existência de um problema de saúde pública que necessita de resolução.
A partir dos argumentos citados, visando o entendimento populacional, o Ministério de Comunicações deve disseminar informações acerca da problemática do assédio moral através de recursos midiáticos, como comerciais televisos e propagandas nas redes sociais, além de campanhas com palestras educativas explicitando o processo de denúncia. Também, é de suma importância que o Poder Legislativo crie diretrizes para a fiscalização do cumprimento das leis trabalhistas já existentes, a fim de melhorar a proteção do empregado e a eficácia das normas. Dessa maneira, essa mazela social será finalizada, tornando a realidade trabalhista brasileira divergente da história ficcionalmente conturbada de Andy.