Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 29/06/2021

Na obra ‘‘O Mal-Estar na civilização", Sigmund Freud não distingue civilização de cultura, mas a define como tudo aquilo que difere o homem da vida animal, que o afasta de sua natureza primitiva. Isso significa que o processo civilizacional determinou regras de comportamento moral, evidentemente falhas, mas não estabeleceu condicionamento comportamental relacionado ao social, na medida em que, por exemplo, a conduta humana sobre o assédio moral evidencia o comportamento primitivo relacionado ao meio ambiente. Nesse sentido, cabe analisar de que forma o poder hierárquico agrava nesse cenário, bem como esclarecer por que negligência da sociedade potencializa esse quadro.

Em virtude dessa ideia inicial, é preciso ressaltar que existe uma organização em graus de subordinação nos ambientes de trabalho que favorece o sentimento de superioridade que um indivíduo sente sob o outro. Sob essa ótica, confirma-se a percepção de Freud, na medida em que obedecer a ordens que não visam o bem-estar do trabalhador só pelo fato dele estar em uma escala inferior à do dirigente pode causar danos tanto quanto psicológicos, como traumas. Assim, constata-se que a repetição de um comportamento abusivo acaba prejudicando a vítima e favorecendo o agressor, de uma maneira com que esse não lide com as devidas consequências. Dessa forma conclui-se que penalidades devem ser impostas para os que praticam o assédio moral, além de ações que auxiliem os padecentes.

Nessa discussão, outro ponto relevante é indiligência do Estado em relação a esse entrave. Aliás, não se pode esquecer de que as leis alusivas ao asédio moral no trabalho não mostram-se eficientes na sociedade, bem como os outros meios de denúncia. Nessa lógica, compreende-se que, como alerta o pensador polonês Zygmunt Bauman, os atores sociais contemporâneos tendem a agir de forma insensata, a saber, sem se preocupar com o organismo social, de uma maneira que deixe em segundo plano as problemáticas relacionadas a essa situação, deteriorando esse quadro cada vez mais. Assim, fica claro que que o governo necessita aprimorar suas ações em oposição a esse cenário.

Diante os argumentos supracitados, é preciso concentrar esforços para solucionar o problema do assédio moral. Inicialmente, cabe ao Ministério do Trabalho impor melhores consequências para os praticantes, por meio da criação de novos regulamentos, visando estabilizar o cenário e promover o fim de atos como esse na sociedade. De modo complementar, convém ao Estado priorizar e encorajar a utilização dos seus recursos de queixa, a partir da realização de campanhas públicas e propagandas, com vistas a ajudar a população a incriminar os assédios realizados. Com essas iniciativas, espera-se desconstruir, de fato, a natureza primitiva, denunciada por Freud, e promover o bem-estar na civilização.