Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 29/06/2021

O escritor austríaco Stefan Zweig, dada a perseguição nazista na Europa, veio para o Brasil e se radicou no Rio de Janeiro. Influenciado pela cordialidade e potencial dos brasileiros, Zweig exaltou o seu novo país por meio do livro, cujo título ainda é, muitas vezes, repetido: “Brasil, país do futuro”. No entanto, a presença do assédio moral no ambiente de trabalho permite inferir que sua previsão limitou-se às páginas da sua obra. Em razão desse cenário, é preciso compreender que a sobrecarga deliberada de trabalho está diretamente associada a condutas abusivas e repetidas neste ambiente, bem como questionar por que a sonegação de direitos e vigilância excessiva constante impactam no corpo social.

Em face desse questionamento inicial, é preciso esclarecer que a constante exposição do operário a situações desmoralizantes está relacionada não só a pressão que este sofre, mas também ao poder hierárquico utilizado pelo assediador para diminuir seu subordinado. Por conseguinte, consoante ao pensamento de Marilena Chauí, filósofa brasileira, a ética deveria fundamentar-se em torno de ideias e práticas positivas de liberdade e felicidade. Contudo, ao lançar olhar sobre a realidade, nota-se que as condições as quais os trabalhadores são expostos são capazes de ocasionar danos a saúde mental, em virtude da repetição de um comportamento abusivo que atenta contra a dignidade psíquico-emocional. Logo, fica claro que muitos usam pessoas a seu benefício, para manipulá-las até alcançar seus ideiais.

Nesse contexto, outra questão pontual é o fato de que a vigilância excessiva caracteriza um quadro humilhante ao operário, haja vista que este perde seus direitos como trabalhador e sofre pressões constantes. Sob esse viés, cabe observar que, conforme enuncia Zygmunt Bauman, a era moderna levou a liquidez das noções universais e, com isso, passou-se a valorizar o individual e a vida a partir de uma transitoriedade universal. À luz desse raciocínio, pode-se afirmar que o assédio moral ocasiona prejuízos emocionais e o descrédito em relação aos demais trabalhadores, caracterizando uma ofensa à dignidade. Portanto, de nada adianta analisar esse contexto de discriminação, se a questão do individualismo não estiver em pauta.

Isso posto, conclui-se que, enquanto não houver medidas que combatam essas condutas abusivas e humilhantes, a questão que envolve o assédio moral continuará presente no trabalho. Assim, é fundamental que o Ministério da Educação promova palestras para jovens e adultos, além de divulgá-las nos meios midiáticos, a fim de que haja maior lucidez sobre o assunto e atingir um público cada vez maior. Concomitantemente, cabe ao poder público fazer parcerias com o Ministério do Trabalho, estabelecendo leis que fiscalizem e punam os assediadores. Com essas iniciativas, espera-se alcançar o “país do futuro” descrito por Stefan Zweig e promover o bem-estar social.