Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 30/06/2021

Proposto pelo positivista Émile Durkheim, o conceito de fato social indica que as estruturas sociais de um meio afetam a forma como os indivíduos agem em conjunto. Ao considerar essa elaboração teórica, para fomentar a discussão sobre violências no ambiente de trabalho, observa-se a existência de hábitos e de valores culturais que contribuem para esse comportamento. Nesse sentido, cabe analisar as motivações do assédio moral nas empresas, destacando suas consequências sobre as vítimas, bem como esclarecer de que forma essas agressões refletem o corpo social brasileiro.

Em face dessa colocação inicial, pontua-se que as perseguições no local de trabalho são majoritariamente voltadas para o abuso psicológico do funcionário . Isso se dá, em parte, pela hierarquização dos cargos em uma empresa, a qual provoca a falsa sensação de poder de um grupo sobre outro, em um ambiente cujo objetivo deveria ser a cooperação da equipe. Como resultado, muitas pessoas sofrem de sobrecarga de trabalho, que leva à exuastão emocional e física do sujeito, podendo causar desde o abandono do emprego ao desenvolvimento de doenças psicológicas como depressão. Dessa forma, entende-se que a organização do meio trabalhista condiciona a violência e a vitimização entre os indivíduos, assim como retratado por Durkheim.

À vista disso, ressalta-se que o assédio moral no ambiente de trabalho espelha as relações sociais externas às empresas. Em razão da histórica repressão de minorias no país, enraizaram-se, na população, condutas de segregação e de humilhação de grupos considerados subordinados, que são reforçadas pela hierarquia de funções nas empresas. Nessa perspectiva, destaca-se a teoria empirista de John Locke, na qual a experiência é tida como limite do saber e do agir. Ante essa concepção, compreende-se que o caráter hostil das relações de trabalho deriva das desagradáveis estruturas de discriminação vivenciadas pelos funcionários no meio social.

Diante do exposto, urgem medidas para a solução dessa nódoa. Primeiramente, é fundamental que as empresas afetadas realizem a integração da equipe de trabalho, por meio de projetos que acentuem a cooperatividade, como atividades em grupo durante o treinamento dos funcionários, visando promover uma dinâmica desfavorável ao assédio moral em seus ambientes. Ademais, cabe a esses estabelecimentos, em parceira com o Ministério da Cidadania, a redução da discriminação no local de trabalho por influência da realidade social do país, a partir de medidas de prevenção a essa violência, como a identificação dos agressores, a fim de controlar as perseguições nas empresas. Feito isso, contorna-se o cenário vivido no Brasil pela mudança de seus aspectos, de acordo com o proposto por Locke.