Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 29/06/2021

O sociólogo francês Émile Durkheim sustenta que a sociedade sempre prevalece sobre os indivíduos, dispondo de certas normas que assegurem a sua perpetuação, formando uma consciência coletiva. Para o pensador francês, o conflito existe basicamente pela anomia, a saber, pela insuficiência da normatização das relações sociais. Com base nessa formulação sociológica, pode-se afirmar que, com relação à constância do assédio moral no ambiente de trabalho, a subsistência dessa disposição se caracteriza como uma anomalia na formação social do Brasil. Nesse sentido, é preciso analisar a influência de uma organização hierárquica, bem como o impacto desse processo no organismo social.

Em razão desse questionamento inicial, é preciso esclarecer que a perpetuação de comportamentos abusivos contra funcionários desconstrói o ideal harmônico de um espaço profissional, pois inviabiliza a preservação da integridade das vítimas. Nessa lógica, comprovam-se os vestígios do processo de anomia, alertado por Durkheim, uma vez que, ao ser estabelecida uma estrutura que dita cargos em relação à níveis de poder, cria-se um modelo de subordinação que auxilia na construção desse cenário. Para defender essa ideia, não se pode ignorar o fato de que situações humilhantes são consequências diretas dessa disposição, na medida em que os superiores hierárquicos utilizam de seus subordinados para benefício próprio. Dessa forma, fica claro que esse sistema carece de modificações.

Ainda nessa linha de raciocínio, outro ponto relevante é o potencial nocivo dessa conduta, haja vista que, ao propiciar a sua desmoralização em ambiente de trabalho, a dignidade do indivíduo é afetada. Consoante a essa ideia, como o ser humano, conforme elaboração do filósofo Immanuel Kant, é considerado um ser dotado de razão e, por isso, capaz de impor leis a si mesmo, pode-se pensar que o próprio condenaria ações geradoras de tal desfecho e exaltaria a prevenção. No entanto, ao lançar olhar sobre a realidade, percebe-se a ocorrência de efeitos extremos às vitímas, como danos à saúde mental e pedidos de demissão, em virtude dessas situações desmoralizantes. Ganha configuração real, assim, a ideia de que medidas são necessárias para interromper a continuidade desse hábito abusivo.

Diante desse contexto, verifica-se urgência em combater o assédio moral nos ambientes profissionais do Brasil. Assim, é papel do poder público estabelecer como meta a garantia dos direitos dos funcionários, mediante ações como a implantação de planos de conduta nos espaços de trabalho, com o fito em assegurar a eficácia das relações de trabalho. Ademais, cabe ao Ministério da Educação promover o comprometimento social ao progresso profissional, a partir de campanhas midiáticas de cunho didático, como forma de desestruturar esse comportamento abusivo. Com essas iniciativas, espera-se consolidar a consciência social, proposta por Durkheim, e promover o bem-estar social.