Combate ao assédio moral no trabalho
Enviada em 29/06/2021
Em sua obra “O Mal-Estar da Pós-Modernidade”, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman atesta que a sociedade contemporânea se desviou do projeto de comunidade como defensora do direito universal do bem-estar e passou a vivenciar a irracionalidade. Esse argumento sociológico possibilita refletir sobre o assédio moral no trabalho, uma vez que condutas abusivas no ambiente profissional se tornaram comuns. Nesse sentido, é fundamental esclarecer como essa ação expõe a vulnerabilidade dos trabalhadores, mas também analisar como esse processo impacta nas relações sociais e nos comportamentos pessoais.
Em virtude desse questionamento inicial, sabe-se que o Brasil vive uma constante crise econômica e, por isso, há altos índices de desempregos, até mesmo entre os jovens. Inclusive, essa questão está relacionada com a obrigatoriedade dos trabalhores em aceitar as situações humilhantes pelas quais são expostas. Nesse contexto, percebe-se que, como argumenta Bauman, o agir com insensatez, diante da questão que envolve a sociedade, evidencia a ideia de uma irresponsabilidade social. Dessa forma, é latente que esse cenário urge por mudanças.
Nessa discussão, outro ponto relevante são as feridas psicológicas que a repetição do assédio moral pode causar, entre elas o medo e a insegurança. Aliás, não se pode esquecer que a sobrecarga deliberada do trabalho compromete no rendimento e bem-estar do indivíduo. Com efeito, esse quadro vai de encontro a ideia de “imperativo moral”, elaborada pelo filósofo Immanuel Kant, de que o homem deve se comportar de modo que suas ações, ao serem replicadas por todo ser racional, resultem no bem-estar geral. Contudo, ao lançar olhar sobre a realidade, nota-se o oposto do imperativo kantiano.
Diante do pressuposto, são necessárias ações que busquem minimizar esse quadro. Inicialmente, cabe à gerência da empresa, a tarefa de aprimorar os recursos humanos, por meio de um canal de comunicação seguro e anônimo para denunciar tais abusos. Ademais, cabe ao Ministério da Saúde, juntamente com a Secretaria de Trabalho, fornecer atendimentos psicológicos gratuitos para as vítimas de assédio que denunciarem. Implementadas essas ações, espera-se solucionar a problemática retratada.