Combate ao assédio moral no trabalho
Enviada em 06/07/2021
Na série “Amigas para sempre” Kate necessitando de um emprego ,em sua área de jornalismo, passa a aceitar um trabalho degradante psicologicamente, bem como começa a relevar pedidos que não condizem com o seu cargo profissional. Fora da obra cinematográfica, no entanto, essa realidade de assédio moral no trabalho, ainda, configura-se como um desafio preocupante para a sociedade brasileira. Dessa maneira, estando entre os fatores responsáveis pela problemática não só a necessidade dos cidadãos manterem o emprego, mas também a influência econômica em julgamentos.
Em primeira análise, é indubitável que a urgência por um emprego possibilita que muitas pessoas ponderem esse tipo de assédio hierárquico. Essa atitude, vai ao encontro do pensamento de Sérgio Buarque de Holanda, em seu livro “Raízes do Brasil” ao afirmar a segregação como uma característica própria da sociedade brasileira. Nesse sentido, a afirmação do escritor se encaixa perfeitamente nesse impasse, tendo em vista que as disparidades sociais,existentes no país, possibilita que muitos cidadãos, que necessitam dessa renda para garantir atividade básicas, como alimentação, fiquem expostos a danos psicológicos,morais ou físicos, uma vez que temem perder o emprego. Isso, por sua vez, mostra-se preocupante, pois como retratado no documentário “ A dor in(visível) assédio moral” os danos psicológicos causados ao trabalhador interferem na vida pessoal e profissional desse cidadão.
Em segunda análise, cabe salientar a insuficiência dos julgamentos como um dos fatores que dificultam a atenuação dessa triste conjuntura. Com efeito, Gilberto Dimenstein, jornalista brasileiro, em sua obra “Cidadão de Papel”, afirma que as leis embora sejam garantidas na legislação, na prática elas não ocorrem, já que são subtraídas pelo Estado. Em consonância com o pensamento do jornalista, fica claro que a justiça que deveria atuar como “cega” e assegurar os direitos previstos pela Constituição Federal de 1988, como penalização ao crime de calúnia e assegurar saúde aos indivíduos, não está reverberando tais medidas, uma vez que grandes empresários, que detém alto poder aquisitivo, em grande parte das vezes, são insetos pelos seus crimes.
Destarte, medidas são necessárias para a resolução do impasse. Logo, cabe ao Ministério do Trabalho realizar fiscalizações, regularmente, nas empresas, por meio de parcerias com Médicos do Trabalho- que prezam pela preservação da saúde do trabalhador- com o fito de casos de abusos morais sejam identificados e advertidos. Outrossim, cabe ao Poder Judiciário adotar medidas punitivas, como o afastamento do cargo,àqueles que são suspeitos de julgamentos corruptos. Como efeito social, haverá uma sociedade que preza pela saúde do trabalhador, fazendo com que casos de assécio moral, como o do trabalho de Kate, permanecam apenas na ficção.