Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 07/07/2021

Desde o início do Estado Novo, com Getúlio Vargas, mais e mais proteção foi oferecida pelos direitos trabalhistas aos empregados. Apesar disso, certos abusos no ambiente laboral ainda são frequentes, como é o caso do assédio moral, o qual deve ser combatido levando-se em consideração suas duas maiores causas: a falta de empatia e o mecanismo de bode expiatório.

Em primeiro lugar, percebe-se que, em grande parte dos casos, o assediador pratica a agressão por apresentar dificuldade em se colocar no lugar da vítima. Tal fato é observado no livro ‘‘Flores para Algernon’’, do escritor Daniel Keyes, em que Charlie Gordon, um retardado, sofre — desde o período escolar até a fase adulta, em seu emprego — com abusos de seus colegas. Porém, após alguns eventos, o protagonista começa a ser compreendido, e aqueles que outrora o incomodavam passam a defendê-lo. Logo, infere-se que, naquele caso, o que faltava aos assediadores era apenas a empatia, virtude que precisava ser desenvolvida tanto pelas crianças quando pelos adultos que zombavam de Gordon.

Além disso, o assédio moral pode ser originado pelo mecanismo do bode expiatório, conforme descrito pelo filósofo René Girard. Segundo o estudioso, a culpa de determinados eventos é, com frequência, externalizada em indivíduos que nenhuma relação têm com o fato. Assim, o abuso pode ocorrer em virtude da falta de autodomínio do agressor, que projeta na vítima a raiva que sentiu, por exemplo, em uma briga de trânsito a caminho do trabalho. Logo, há uma estreita relação entre agressão e falta de maturidade emocional no ambiente laboral, como explicado por Girard.

Portanto, para que haja um combante efetivo ao assédio moral no trabalho, a solução deve começar na infância, com o desenvolvimento da empatia, por meio do reforçamento do acompanhamento psicopedagógico na escola, de forma a incentivar atividades em grupo que ajudem na compreensão dessa virtude. Além disso, para uma ação mais direta, o Ministério do Trabalho, em parceria com o Ministério da Saúde, deve exigir avaliações psicológicas esporádicas que identifiquem possíveis abusadores entre os trabalhadores, de modo a oferecer acompanhamento a estes e conduzi-los ao caminho do autodomínio, evitando, assim, que outros sofram as consequências de sua imaturidade emocional no mecanismo do bode expiatório.