Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 08/07/2021

Em sua obra “Microfísica do Poder”, o filosofo Foucault, descreve o poder como sendo a relação entre as pessoas e instituições, dessa forma, diferente da época do Antigo Regime, onde o poder era centralizado, hoje este se encontra mais disseminado entre as diversas relações. Nesse sentido, na atualidade, o vinculo entre os indivíduos no ambiente de trabalho  passa por um problema resultante desta “microfísica”, o chamado assédio moral. Dessa forma, é fato que tal impasse ocorre majoritariamente  por conta de dois fatores: o desconhecimento dos direitos confiados aos sujeitos no cenário profissional e a falsa idéia de que o sucesso é uma via de mão única, alcançado  através manipulação e proveito por uma das partes.

Em primeiro lugar, é importante destacar que por mais amplo acesso a informações possibilitado no mundo hodierno, o desconhecimento dos direitos empregados aos sujeitos no ambiente profissional ainda existe, e isso intensifica o assédio moral no mesmo. Nesse contexto, o filosofo Jeremy Bentham defende a ideia de que os direitos precisam ser explícitos e claros, pois para ele, a sociedade ideal concilia a felicidade com bem estar coletivo. Com isso, concluísse que, quando os direitos se tornam indubitáveis, estes levam a convivência no espaço de trabalho a desfrutar de um bem geral, evitando o desrespeito moral entre os paticipantes desta relação.

De acordo com o elencado, é notório que outra ideia que agrava a ocorrência de exposições do trabalhador a situações que humilham, desmoralizam e desestabilizam é a de que o sucesso só pode pertencer a um dos lados da parceria. Seguindo este pensamento, assim como o filósofo supracitado defendia que de que a felicidade e o bem estar coletivo andam de mãos dadas, a ideia de Aristóteles complementa tal posicionamento ao dizer que a felicidade não pode existir na ausência de ética, de sentido, de propósito, de um porquê de longo prazo para a existência humana. Sendo assim, evidencia-se que tendo a felicidade como ponto de sucesso, este só será alcançado quando estabelecido e alicerçado em uma relação ética e com um propósito e sentido préestabelecido para ambos os lados de uma associação, sendo no cenário profissional ou não.

Portanto, para que o assédio moral no trabalho seja extinto, é necessário que os sindicatos, por meio de sites e redes sociais de amplo acesso, tornem conhecidos e claros os direitos dos trabalhadores, os quais já são predefinidos pela consolidação dos direitos trabalhistas, a fim de tornar os empregados mais bem informados,  além disso, as empresas devem estabelecer desde a contratação o propósito e a missão da empresa, para que patrão e proletário possam conviver de forma armônica. Assim, a felicidade e bem estar não serão pautados na microfísica do poder.