Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 03/08/2021

Vigilância constante. Abuso de autoridade. Falta de empatia. Esse é o cenário de contínuo assédio moral presente no aclamado filme “O Diabo Veste Prada”, no qual a protagonista Andy possui um emprego em um ambiente extremamente nocivo para sua saúde física e mental, decorrente da cobrança excessiva de sua chefe de moda. Fora da ficção, esse retrato não se torna distoante da realidade hodierna de importunações corriqueiras nos âmbitos laborais, a prejudicar não só o estado de bem-estar dos trabalhadores, bem como suas produtividades. Desse modo, faz-se necessária uma análise acerca de como a moldagem de corpos, além da sociedade do cansaço ocasionam essa temática - ademais, da urgência do combate dela por intermédio da sociedade civil organizada.

Em primeiro plano, é importante salientar como a padronização dos seres físicos corrobora o assédio moral no trabalho. Isso ocorre porque, desde o período escravista, no Brasil, há uma noção de controle sobre o corpo dos indivíduos a fim de que eles produzissem mais; ocorre, também, uma concepção de vígilia na maior parte do tempo, para que se possa atestar a eficiência do empregado, a exemplo disso tem-se a configuração espacial das fazendas escravocratas, nas quais a senzala - moradia dos escravos - ficava próxima da casa grande - do senhor de engenho. Esse panorama pode ser relacionado com o preconizado pelo filósofo francês Michel Foucault, para quem, na atualidade, existem mecanismos disciplinares para controlar os indivíduos, por meio da submissão e obediência. Dessa forma, uma administração demasiadamente autoritária e sem espaço para diálogos, com humilhações e ordens repetitivas em voz alta, nos ambientes trabalhistas, torna-se propicia para a ocorrência do abuso moral já citado.