Combate ao assédio moral no trabalho
Enviada em 14/07/2021
Na obra “A ordem da fênix”, a escritora JK Rowling apresenta a personagem Dolores Umbridge, uma senhora que assume uma direção de Hogwarts após a morte de Dumbledore (ex-diretor). Ao longo da narrativa, a nova diretora impõe mudanças radicais na escola, incluindo punições aos alunos e docentes, abusando de seu poder. Fora da ficção, tal atitude pode ser percebida em várias empresas do Brasil. Isso porque, desde os séculos passados, as definições de trabalho foram construídas com base no senso comum e, a competitividade entre as pessoas nas organizações foi aumentando juntamente com a ascensão do capitalismo.
Em primeiro lugar, é importante destacar que a palavra “Trabalho” deriva do latim “Tripallium” - nome dado a um instrumento de tortura usado no século VI. Com base nessa perspectiva, têm-se a ideia de que trabalhar representa algo negativo, no qual as pessoas sofrem. Paralelamente, durante a Primeira Revolução Industrial, as pessoas eram submetidas à péssimas condições de trabalho, visto que não havia direitos trabalhistas e, os indivíduos - inclusive as crianças, eram expostos a diversos fatores nocivos à saúde. Entretanto, ao longo dos anos, após muitas reivindicações e movimentos sociais, os trabalhadores foram adquirindo direitos e conquistando espaço no mercado.
Concomitante a isso, o Artigo I da Constituição da República Federativa do Brasil é fundamentada na soberania, cidadania e dignidade das pessoas humanas. Outrossim, os Direitos Humanos asseguram que todos possuem o direito de acesso ao trabalho, sem sofrer qualquer tipo de discriminação. No entanto, apesar dessas leis, por conta do capitalismo, a ideia de acúmulo de capital fez com que o ser humano desenvolvesse a necessidade de manter-se em altos cargos, porém, muitos abusam de seu poder e tomam decisões antiéticas em relação aos outros colaboradores, pois acreditam que desmoralizar o outro fará com que este, sinta-se desmotivado. Além disso, as vítimas, muitas vezes sofrem em silêncio e, pelo fato da pressão psicológica, acabam pedindo demissão.
Portanto, é imprescindível que o Estado adote medidas para amenizar o quadro atual. Dessa forma, urge que o Ministério do Trabalho em conjunto com os sindicatos, criem um canal de denúncias específico para o assédio moral nas empresas, assim como, proporcione atendimento gratuito com psicólogos para todos que já sofreram algum tipo de assédio em âmbito empresarial. Por conseguinte, a fim de propagar este projeto, os sindicatos devem assumir a responsabilidade na distribuição de cartazes de conscientização. Somente assim será diminuir as incidências de assédio moral nas empresas brasileiras.