Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 14/07/2021

O jornalista Gilberto Dimenstein, ao produzir a obra “Cidadão de Papel”, afirmou que a consolidação de uma sociedade democrática exige a garantia dos direitos fundamentais de um povo. No entanto, ao observar o combate ao assédio moral no trabalho, constata-se que esse direito não tem sido pragmaticamente assegurado na prática. Portanto, é imprescindível enunciar o aspecto sociocultural e a insuficiência legislativa como pilares fundamentais da calamidade.

Primeiramente, torna-se evidente a influência do fator sociocultural. Sob tal perspectiva, é oportuno assinalar que, conforme o pensador Émile Durkheim, a sociedade deve ser analisada de maneira crítica e distanciada do senso comum. Nesse sentido, a proposta do sociólogo pode ser aplicada quando se analisa os entraves na batalha ao assédio moral no emprego, visto que, os causadores do problema podem ser os chefes ou até mesmo os “amigos de trabalho”. Dessa maneira, é indispensável fazer o crivo dos fatores que favorecem esse quadro.

Ademais, é cabível pontuar que a ineficácia das leis contribui para a persistência do infortúnio. A esse respeito, o filósofo grego Aristóteles afirmou que o objetivo da política é promover a vida digna aos cidadãos. Nessa lógica, a conjuntura vigente contrasta o ideal aristotélico, posto que o combate aos comportamentos abusivos direcionados a uma pessoa, que humilha, e desmoraliza-a no seu trabalho, pode causar problemas psíquicos na vítima. Assim, medidas precisam ser tomadas pelas autoridades competentes, a fito de atenuar o revés.

Infere-se, portanto, que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Logo, o Ministério do trabalho, por intermédio de palestras de grande audiência, irá enunciar as causas do problema, com o objetivo de mostras as reais consequências do assédio moral no emprego. Essa medida ocorrerá pela elaboração de um projeto estatal, em parceria com as emissoras de televisão. Juntamente, o Ministério da Saúde, realizará cursos de tratamentos psicológicos as vítimas que sofreram de abuso no trabalho. Feito tais pontos, com a visão crítica de Durkheim e a justiça de Aristóteles, a sociedade brasileira deixará de ser uma comunidade de papel, como enfatizou Dimenstein.