Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 23/07/2021

No filme “O diabo veste Prada” a nova chefe da protagonista a trata com desprezo, manipulando-a e humilhando-a. Mesmo que fictício, o enredo denuncia uma realidade vivida por trabalhadores: o assédio moral no trabalho. A atual competitividade no meio ocupacional contribui para o abuso do sistema hierárquico, gerando casos de assédio que degradam a vida social da vítima.

Como primeira análise, a globalização provoca crescentes rivalidades no mercado de trabalho, gerando uma tensão entre os profissionais. Deste modo, o estresse pode levar a atitudes imorais e indelicadas, que visam afirmar a superioridade e obter benefícios. Para tanto, o assediador usa uma posição de maior autoridade, como um meio de justificar o ato de diminuir o assediado. O problema se agrava, visto que o assédio pode ocorrer implicitamente, sem que receba visibilidade de outros indivíduos. Esse cenário, faz com que a vítima sinta-se impotente para opor-se e opte por submeter-se ao desconforto, a fim de garantir o emprego e o salário.

Ademais, o trabalho tem grande importância social, segundo o que defende o pensamento filosófico calvinista: “o trabalho dignifica o homem”. Ainda que pertença ao período moderno, a percepção de “dignificação” do emprego permanece na contemporaneidade, sendo essencial para que o indivíduo se insira plenamente na sociedade. Nesse sentido, o ofício é visto como um meio de realização, cuja estabilidade é fundamental e interfere nos demais aspectos da vida. No entanto, situações de assédio moral causam instabilidades que contribuem para a exclusão social.

Em suma, medidas devem ser tomadas para que se resolva o problema. Os sindicatos devem elaborar um projeto destinado às respectivas profissões que englobam, permitindo a denúncia anônima de situações de assédio moral por meio de telefonemas, por profissionais ou terceiros, e a posterior investigação do local denunciado, a fim de combater essa problemática. Deste modo, seria possível diminuir a degradação da vida social das vítimas.