Combate ao assédio moral no trabalho
Enviada em 19/07/2021
No livro brasileiro de Graciliano Ramos, Vidas secas, é retratado a história de uma família no sertão, sobretudo, a perspectiva de vida do personagem principal “Fabiano”. Fabiano detém poucos conhecimentos e possui dificuldade para se comunicar socialmente. Posto isso, seu patrão, dono de uma fazenda, humilha o protagonista constantemente. Fora da ficção, é notável a ocorrência de casos de assédio moral dentro das relações empregatícias, e tal imbróglio persiste na sociedade devido a falta de conhecimento sobre a temática e o medo dos trabalhadores em denunciar o abusador.
Em um primeiro momento, é cabível pontuar que o assédio moral é caracterizado pela repetição de atitudes que ridicularizam ou deixam outro indivíduo desconfortável. Geralmente, o agressor é alguém de cargo superior menosprezando uma pessoa de cargo inferior, além disso, os trabalhadores ao se sentirem coagidos podem não saber como prosseguir a situação e, optar por ignorar o assédio moral, o que por consequência, gera mais poder ao abusador. Ademais, é verídico que a Constituição Federal no artigo 1 detalha que a dignidade humana e o exercício dos seus direitos devem ser preservados com maestria, no entanto, no livro de Gilberto Dimenstein, na obra “Cidadão de papel”, o autor afirma que os direitos humanos apenas são assegurados no papel e, na realidade, os indivíduos sofrem com a ausência da assistência governamental, o que ocasionaria diretamente os episódios de ataque no trabalho.
Outrossim, na ocorrência de discriminação frequente a vítima, em alguns casos, evita a denúncia por medo de que outras pessoas do seu âmbito trabalhista fiquem sabendo do ocorrido, principalmente o próprio abusador. De modo exemplificativo, segundo reportagem do G1, mais da metade da população brasileira alega já ter sofrido assédio moral e, a maioria evitaram o registro de ocorrência. Sendo assim, é perceptível que o medo se torna um instrumento de repressão, em que o indivíduo se torna incapaz de expor o crime.
Por conseguinte, fazem-se necessárias mudanças. Primeiramente, é relevante que o Governo Federal faça uma campanha contra o assédio moral e que explique didaticamente sua manifestação na sociedade, divulgando a campanha por meio de comerciais televisivos. Como também, é dever do Governo Federal, a criação de um aplicativo de denúncias anônimas que atenda, exclusivamente, as queixas de ataques contra a moral. E, a plataforma deverá ser desenvolvida por programadores que disponibilizem uma interface simples e objetiva, buscando dessa forma, que os indivíduos não sejam silenciados perante o assédio moral no trabalho e, para que casos como o do personagem Fabiano permaneçam apenas na ficção.