Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 21/08/2021

Idealizado pelo filósofo Raimundo Teixeira, em 1889, com base nos princípios do positivismo, o lema " Ordem e progresso" - escrito na bandeira brasileira - expõe um dos objetivos da nação verde-amarela: o avanço da sociedade mediante a defesa da ordem. Nota-se, todavia, que tal propósito se restringe à teoria, uma vez que o assédio moral ao trabalhador configura um grave desafio a ser sanado. Nessa lógica, compreender a ausência de medidas governamentais e a apatia na sociedade como principais causas do revés é fundamental.

Diante desse cenário, é oportuno mencionar o governo como órgão responsável em garantir o bem-estar social. Entretanto, no Brasil, o poder público omite ações que podem atenuar os abusos sofridos pelos funcionários no ambiente de trabalho, como a criação de uma legislação mais efetiva,que garantiriam aos trabalhadores maior amparo. A esse respeito, Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, desenvolveu o conceito de “instituição zumbi”, segundo o qual as entidades, dentre elas o Estado, mantêm sua forma a todo custo, mas perderam sua função social. Desse modo, infelizmente, as autoridades só demonstram a sua inoperância.

Ademais,é fundamental apontar a falta de empatia como impulsionador do problema. Nesse sentido, a “Atitude Blasé” - termo proposto pelo sociólogo alemão Georg Simmel no livro “The Metropolis and Mental Life” - ocorre quando o indivíduo passa a agir com indiferença em meio às situações que ele deveria dar atenção. Sob esse viés, a banalização da exploração psico-emocional do trabalhador advém da insolidez das relações humanas, as quais, deveriam ser responsáveis pela formação de laços sólidos no tecido social, e ainda inaceitar recorrências como essa. Logo, é inadmissível que tal postura continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a urgência de ações interventivas com o fito de amenizar a questão. Para isso, urge que o Estado, por meio de comissões da Câmara e do Senado, criem projetos de lei , a fim de garantir proteção ao trabalhador e,consequentemente, melhor funcionamento e qualidade do ambiente de trabalho como um todo. E ainda, cabe ao MEC, através de palestras em ambientes escolares, promover discussões, com o intuito de salientar os alunos a respeito da gravidade da exploração dos trabalhadores. Assim as novas gerações poderam construir um mundo melhor e mais empático.