Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 26/07/2021

A música “De Frente Pro Crime”, de João Bosco, retrata um assassinato e a indiferença que a tragédia provoca nos indivíduos que a presenciam. Nessa perspectiva, o assédio moral no trabalho pode ser relacionado com o contexto da música, pois a conduta abusiva, em alguns casos, não tem a sua devida visibilidade e, sobretudo, punição, como o ocorrido na canção. Assim, gera transtornos para os indivíduos que padecem com essa mazela. Nesse sentido, nota-se uma imagem de omissão e de desleixo que acarretam tal combate.

Essa assertiva deriva, em especial, da pífia ação do Poder Público nessa área. De acordo com a Constituição Federal de 1988, o direito à segurança de qualidade é garantido a todos. Em contrapartida, o Estado não efetiva tal princípio, uma vez que ainda hoje as mulheres são alvos de violência e, por tabela, há presença de uma cultura de valorização do sexo masculino, haja vista que a lentidão e a burocracia do sistema punitivo colobaram para a permanência de inúmeras formas de assédio e com o “relaxamento” dos homens diante dessa agrura, como o Portal de Notícias “Terra” aponta que, entre 2006 e 2011, apenas 33,4% dos casos foram julgados. Logo, mostra-se um governo ineficiente nessas conjunturas.

Por sua vez, outro vetor é o papel apático do olhar coletivo nessa temática. Na ótica de Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um “corpo biológico” por ser, assim como esse, composta por partes que interagem entre si. Dessa maneira, para que esse organismo seja igualitário e coeso, é necessário que todos os direitos dos cidadãos sejam garantidos. Contudo, no Brasil, isso não ocorre, pois a ausência de respeito com as mulheres, as constantes agressões e, por extensão, o absentismo de empatia e de visibilidade são empecilhos para essa insistência, fruto de uma cultura de predileção ao homem, com isso destoa da ideia de Émile. Dessa forma, é fulcral que a coletividade abdique de sua atuação de inércia, com o fito de haver melhorias.

Infere-se, portanto, que, nessa problemática, o Estado deve intensificar a ação nessa esfera, por meio de punições mais eficazes, rápidas e, sobretudo, ampliando as leis de proteção para os indivíduos que penam com essa mazela, a fim de barrar o percurso de todo o caos. Ademais, a sociedade precisa tonificar a tarefa de discussão acerca dessa temárica, por intermédio de palestras educativas e documentários inseridos nessa causa, com o intuito de fomentar a consciência coletiva. Desse modo, para que a música de João Bosco deixe de ser uma realidade brasileira.