Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 28/07/2021

O filme “O Diabo Veste Prada” retrata a jornada da protagonista Andrea Sachs que ao entrar no emprego dos seus sonhos, sofre humilhações da sua chefe na frente da equipe e sobrecarga no seu serviço, o que faz ela questionar suas habilidades e se sentir constrangida. Fora da ficção, observa-se, no Brasil atual, um quadro similar, cujo o assédio moral no trabalho cresce cada vez mais, porém ainda é banalizado. Assim, alguns entraves aprofundam ainda mais essa problemática, tais como: a negligência Estatal e o abuso de poder.

Em primeira análise, deve-se ressaltar que o desinterese do poder público impulsiona esse problema. Nessa perspectiva, a Constituição Federal de 1988, prevê em seu Art. 5º, o direito à honra e à preservação da imagem como inerente a todo cidadão brasileiro, porém tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa as humilhações e as condições precárias que estão presentes nos locais de trabalho de diversos brasileiros. Desse modo, o descaso do Estado torna árdua a universalização desse direito social tão importante, o que acaba por agravar esse cenário.

Ademais, é importante destacar que o autoritarismo existente na hierarquia do sistema trabalhista intensifica ainda mais essa temática. Nesse sentido, nota-se que esse resultado tem raízes históricas, como é perceptível na Revolução Industrial, que ocorreu no século XIX, no qual o clássico filme “Tempos Modernos” retrata a realidade da classe proletária que trabalhava nas fábricas da época em condições precárias, além disso, era sobrecarregada e abusada moralmente pela burguesia, para isso, ela ultilizava excessivamente seu poder hierárquico, a fim das suas indústrias lucrarem cada vez mais. Com isso, é inegável que essa conjuntura se perpetua até os dias atuais.

Portanto, medidas devem ser tomadas para reverter esse quadro trágico. Para isso, o Ministério do Trabalho, em conjunto com a mídia, deve criar um programa para trazer mais lúcidez sobre esse assunto e incentivar as denúncias, por meio de palestras - ministradas por especialistas na área de direito do trabalho - divulgadas nos programas de televisão e redes sociais, a fim de diminuir drasticamente a taxa de assédio moral nos ambientes de serviço. Destarte, casos como da Andrea ficariam apenas na ficção.