Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 29/07/2021

Na série Emily in Paris, criada por Darren Star e produzida em 2018, a protagonista se esforça a todo tempo para agradar a chefe da grife onde trabalha, mas é sempre menosprezada e não reconhecida pelas consquistas da empresa. Tal cenário pode ser evidenciado na sociedade brasileira atual, onde a cultura do assédio moral está fortemente presente. Nesse sentido, dois aspectos fazem-se relevantes: a hierarquização nas relações de trabalho e a dependência pelo salário.

Inicialmente, o abuso de poder de um indivíduo que ocupa um cargo mais elevado em relação à sua vítima, é um fator que favorece a perpetuação do assédio moral no Brasil. Segundo o site senado.leg.br, a repetição, a temporalidade, a direcionalidade e a intencionalidade de ações humilhantes, formam um conjunto que caracteriza a problemática. Dessa forma, como o agressor possui mais influência no ambiente de trabalho, quem sofre tais ações, muitas vezes, é visto como mentiroso ou não tem uma rede de apoio confiável para recorrer. Assim, permanece naquela situação hostil por um tempo prolongado.

Ademais, a dependência pelo salário daquele serviço prestado é um motivo que fomenta o problema na sociedade brasileira. De acordo com  pesquisa disponibilizada no site vargas.com, 39,4% do total de pessoas entrevistas não denunciaram as condutas abusivas que sofreram por medo de perderem o emprego. Dessa maneira, o funcionário, pela necessidade do dinheiro para pagar suas contas e viver dignamente, aceita as humilhações, a sobrecarga de trabalho e o desprezo diário. Porém, a longa exposição às situações desrespeitosas podem acarretar no desenvolvimento de problemas psíquicos, como depressão, ansiedade e outros traumas.

Portanto, com vistas a findar ou minimizar a cultura do assédio moral em questão no Brasil, urge que o Ministério do Trabalho, juntamente com o Sindicato das Empresas, desenvolva e implante leis que obrigem as empresas disponibilizarem canais de comunicação direto entre o funcionário e o setor dos Recursos Humanos. Este no qual terá um membro prestando serviço terceirizado, contratado a partir de um concurso público, em quem o empregado poderá confiar plenamente. Além disso, mecanismos de assistência psicológica deve ser oferecida periodicamente pela companhia a fim de verificar a saúde emocional de seus trabalhadores e auxiliá-los quando necessário.