Combate ao assédio moral no trabalho
Enviada em 29/07/2021
Segundo o artigo 6º da Constituição federal, documento de maior importância nacional, é garantido para todo cidadão brasileiro o direito à saúde e ao trabalho. Entretanto, é fato que a Carta Magna não é efetiva na sua aplicação, uma vez que o assédio moral no ambiente de trabalho persiste na sociedade, o que caracteriza grave problema e deve ser combatido. Com efeito, é notório que tal problemática advém, principalmente, da falta de empatia e da busca exacerbada por produtividade nas indústrias.
A princípio, cabe destacar que a habilidade de se colocar no lugar do outro está em falta na sociedade verde-amarela. Dessa forma, infelizmente, é comum que ocorram casos de violação da dignidade psíquico-emocional dos empregados de uma empresa, isso é realizado tanto por ocupantes de cargos superiores, quanto de cargos inferiores. Acerca disso, o escritor brasileiro Sérgio Buarque de Holanda cunhou o conceito de “cordialidade”, que se aplica quando alguém visa o benefício próprio em detrimento do bem-estar de outros - nesse caso, a sensação de superioridade em humilhar outra pessoa. Assim, é visível que, tristemente, enquanto o “homem cordial” continuar a agir, o assédio moral perpetuará no ambiente de trabalho.
Ademais, é válido ressaltar que a valorização por produção recompensada pelo sistema capitalista incentiva a sobrecarga de trabalho. Sob essa óptica, a psicologia retrata a “Síndrome de Bornout” como o esgotamento profissional como consequência das jornadas trabalhistas excessivas. Diante disso, é evidente que os casos dessa síndrome aumentam cada vez mais na sociedade hodierna, causados principalmente por “homens cordiais”, que priorizam o lucro em desprestígio da saúde emocional dos funcionários. Nessa lógica, essas pessoas pressionam os trabalhadores a produzirem mais, aumentam suas metas e exercem vigilância constante sob a rotina trabalhista. Com isso, é fundamental que haja o combate aos casos de violência a dignidade no trabalho.
Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para mitigar a problemática supracitada. Diante desse cenário, é fulcral que os meios midiáticos incentivem a empatia como tendência para a construção de um corpo social próspero, por intermédio de postagens nas redes sociais, com a finalidade de reduzir a cordialidade vigente e aumentar a quantidade de atitudes empáticas no trabalho. Além disso, é imperioso que o Ministério do Trabalho, recriado em 2021 pelo chefe do Executivo, fiscalize os casos de assédio moral no trabalho, por meio de visitas de averiguação e avaliações, realizadas pelos funcionários de maneira sigilosa, a fim de minimizar os casos da “Síndrome de Bornout” e preservar a saúde mental dos cidadãos. Somente assim a Magna Carta será exercida em sua completude, de forma que garantirá saúde a todos.