Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 26/08/2021

Na animação japonesa “Psycho-Pass”, ficção científica investigativa, em um dos casos retrata-se um indivíduo que é vítma de assédio moral no trabalho, sob a justificativa do alívio de stress e aumento da produtividade dos outros funcionários, que se entretiam com as injúrias. Fora da ficção, no Brasil observa-se uma situação análoga à animação retratada, com o aumento dos casos de bullying entre trabalhadores de uma instituição, ampliado pela ausência de fiscalização, e pelo individualismo excessivo dos cidadãos. Dessa forma, é necessário a garantia de cumprimento dos Direitos Humanos no âmbito laboral.

Torna-se relevante discutir, inicialmente, que a violência psicológica apresenta-se de maneira oculta no cotidiano de um grupo social, e a falta de visibilidade ocasiona a sua potencialização. Nesse contexto, Jeremy Benthan, filósofo inglês, cita o panóptico como o modelo perfeito de vigilância, essencial para a garantia de cumprimento moral dos indivíduos, sob o preceito de que, diante da fiscalização constante, os cidadãos agem de acordo com a ética vigente. Nesse viés, os casos de assédio moral no trabalho passam, muitas vezes, despercebidos pelos funcionários, e a falta de “vigilância” diante da relação social provoca a permanência desse fator desfavorável, pois sem fiscalização não há garantia de cumprimento moral. Logo, observa-se a necessidade de debates acerca do tema, para facilitar a identificação da violência psicológica no meio.

Além disso, analisa-se o individualismo excessivo dos cidadãos, afetados pela competição do mercado de trabalho, que faz os outros funcionários serem vistos como adversários, promovendo os casos de injúria e agressão verbal. Nessa perspectiva, o filósofo canadense Charles Taylor relata o individualismo como o foco excessivo no âmbito identitário, em que figura a prevalência do meio interno em detrimento do meio externo. Diante disso, conforme apresentado pelo pensador, os cidadãos se dedicam ao próprio desenvolvimento e abrem mão das convenções sociais de empatia e alteridade, principalmente no ambiente laboral, de concorrência constante, o que ocasiona a ampliação dos casos de assédio moral no Brasil, pois desconsidera-se o respeito pelos “rivais”.

Evidencia-se, portanto, que para ampliar a fiscalização e, consequentemente, amenizar os casos de desrespeito no trabalho, é importante as redes sociais, como Facebook e Instagram, principais plataformas de socialização virtual, instruirem os cidadãos à identificarem situações imorais no cotidiano, por meio de propagandas bem explicativas, feita por profissionais especializados, que retratem atitudes comuns de indivíduos que infligem assédio moral. Assim, o meio se desenvolverá distante da ficção apresentada em Psycho-Pass.