Combate ao assédio moral no trabalho
Enviada em 05/08/2021
Durante o programa “Roda Viva”, Ana Maria Braga relatou o assédio sofrido na TV Tupí, fato esse que resultou em uma fratura no braço da apresentadora ao tentar fugir do agressor. No entanto, mesmo que esse abuso tenha acontecido a quase cinquenta anos, relatos como o da global são ainda frequentes e explicitam a necessidade de mudança no meio de trabalho. Por isso, combater o assédio moral é uma obrigação da sociedade e do Estado para resguardar o trabalhador de todas as áreas e gêneros.
Nesse contexto, é impossível não notar as semelhanças do relato de Ana Maria com o escândalo entre os comediantes Marcius Melhem e Dani Calabresa. Isso porque, as insinuações sexuais e até o uso de força por parte do ex-diretor artístico para com a comediante foram expostas em jornais de todo o país. Porém, é um equívoco pensar que apenas Calabresa sofreu com o assédio, outros comediantes, também chefiados por Melhem, expuseram os abusos morais feitos pelo produtor, chantagens emocionais e de trabalho eram comuns aos integrantes do programa “Zorra Total”, questão essa negligenciada pela emissora por anos. Por consequência, precisar de um escarcéu para se ter justiça por esses artistas é um sinal alarmante de insegurança no mercado de trabalho.
Por esse viés, a matéria da BBC Brasil sobre o assédio no meio profissional brasileiro exibiu que o ocorrido nos bastidores da TV também é presente no cotidiano. Pois, de acordo com a notícia, quase metades dos brasileiros sofreram algum abuso por parte de seus superiores, e esse número quando analisado apenas mulheres é ainda maior. Logo, a errônea ideia de que relatos semelhantes aos de Ana Maria Braga e Dani Calabresa são casos isolados é destruída quando a realidade é observada. Desse modo, a necessidade de mudar essa nociva relação de trabalho é fazer justiça por todos, principalmente aos que sofrem no anonimato.
Diante de toda a abrangência do assédio no meio profissional, é preciso criar alternativas que assegurem o trabalhador e responsabilize os agressores. Para que isso ocorra, o Estado, como o maior representante da justiça, deve aumentar os possíveis canais de denúncia, por meio de novas portarias que liguem o setor de recursos humanos das empresas com delegacias, com o intuito de fornecer um maior apoio legal às vítimas e punir os assediadores. Além disso, empresas no geral devem oferecer segurança aos seus funcionários, além da portaria citada, por intermédio de conselhos de recursos humanos, para que se crie mais uma alternativa de apoio aos trabalhadores.