Combate ao assédio moral no trabalho
Enviada em 04/08/2021
No filme americano “Click” o personagem Michael é constantemente cobrado pelo seu Chefe a se esforçar mais em seu trabalho, de uma maneira que perde momentos especiais com sua família por conta do trabalho excessivo exigido. Fora da ficção, analogamente, esse problema tem crescido cada vez mais no mercado de trabalho devido ao assédio moral. Diante dessa perspectiva, percebe-se a consolidação de um grave problema, em virtude do silenciamento e do individualismo.
Em primeiro plano, é preciso atentar para o silenciamento do problema presente na questão. O filósofo Foucault defende que, na sociedade pós-moderna, alguns temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Nesse sentido, percebe-se uma lacuna no que se refere ao debate em torno do assédio moral no trabalho, que tem sido silenciado.Nesse sentido, visto que a problemática não é discutida na sociedade, as vítimas sentem receio de denunciar os assédios vivenciados no ambiente de trabalho, contribuindo para a perpetuação do óbice. Assim, sem diálogo sério e massivo sobre esse problema, sua resolução é impedida.
Além disso, cabe ressaltar que a falta de empatia é um forte empecilho para a resolução do problema. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a sociedade atual é fortemente influenciada pelo individualismo. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade brasileira, no que tange ao assédio moral no trabalho. Nessa perspectiva, há um constante individualismo no ambiente de trabalho, acarretando disputas entre os funcionários, pela pressão do chefe que muitas vezes exige um “trabalho perfeito”, que caso contrário disso, despreza o funcionário, caracterizando um assédio moral misto. Logo, essa liquidez que influi sobre a questão do assédio moral funciona como um forte empecilho para sua resolução.
Portanto, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Então, é preciso que o Ministério da Educação, em parceria com o Conselho Federal de Psicologia do Brasil, desenvolvam “workshops”, em escolas, sobre a importância da empatia para o enfrentamento de problemas sociais e para o equilíbrio da sociedade. Tais atividades devem ser direcionadas aos alunos do Ensino Médio, porém, o evento pode ser aberto à comunidade. Além disso, podem ser oferecidas atividades práticas, como dinâmicas e dramatizações, a fim de tratar o tema de forma lúdica, para que a empatia seja uma prática presente em situações de assédio moral no trabalho. Além disso, esses workshops devem ser divulgados nas redes sociais, de modo que a sociedade tenha acesso a essa atividade, a fim de que o problema possa ser mais divulgado e, ainda, atenue o silenciamento da problemática. Somente assim será possível reverter o quadro e, ademais, impedir que o imbróglio vivenciado por Michael perpetue. perpetuando na sociedade brasileira.