Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 08/09/2021

A chegada dos portugueses no Brasil em 1500, no qual escravizou índios e negros, possibilitou assim, um legado de servidão e demonstração de poder que se mantém e faz parte da cultura corporativa do brasileiro, logo estabeleceu uma hierarquia de quem é que manda e quem deve obedecer. Com isso,  geraram-se consequências nocivas para a sociedade contemporânea, como as dificuldades em identificar o que é excessos de poder e questões do trabalho, além da normalização de atitudes toxicas presentes nos ambientes laborais.

Primeiramente, destaca-se a importância das leis trabalhísticas, criadas por Getúlio Vargas, a fim de proteger e beneficiar os trabalhadores diante de antigas longas jornadas de trabalho, sem descanso e um salário mínimo. Entretanto, apesar da geração conhecer seus direitos trabalhistas, não sabem diferenciar questões laborais com os excessos de poder vindo de gerentes e chefes, logo acreditam que tudo faz parte da cultura da empresa, já que outras equipes apenas lidam com a situação. Por outro lado, apesar das companhias possuírem regras de ‘‘complience’’ (normas e práticas para estabelecer um melhor ambiente de trabalho de acordo com as diretrizes da empresa), o primeiro a quebra-las são os gerentes, muitas vezes desqualificando ou ridicularizando o profissional, com a desculpa de ajuda-lo a evoluir profissionalmente.

Ademais, com atitudes tóxicas e empregados que acatam por medo de demissões, cria-se um ambiente constantemente estressante e que a qualquer momento, esperam um desgaste emocional na presença do líder da equipe. Para o portal G1, o Brasil é um dos cinco países mais ansiosos do mundo, logo com tanta pressão, estresse e medo do ‘‘amanhã’’, a busca por métodos chamados ‘‘válvulas de escape’’ acontecem, como remédios e álcool. Assim, fortalece uma cultura de que, para haver sucesso na empresa, o trabalhador precisa passar por esses desafios, com isso, normaliza essas atitudes para que no futuro, a pessoa enriqueça -o que é raro acontecer-.

Diante dos fatos expostos, urge que o Ministério do Trabalho, junto às agências de publicidade, por meio de verbas governamentais, crie campanhas com o intuito de ensinar a identificar se o trabalhador está vivendo em um ambiente tóxico e o que é ou não, permitido nestes locais. Outrossim, divulgar resultados de pesquisas que mostrem o quão comum é, um trabalhador ser humilhado pelo patrão, assim problematizar essa normalização ensinando o que fazer nesses momentos e suas consequências a saúde mental do brasileiro. Desse modo, a herança cultural que os portugueses deixaram, será constantemente combatida e principalmente, entendida por todos aqueles que a vivenciam.