Combate ao assédio moral no trabalho
Enviada em 10/08/2021
Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o acesso à saúde, tanto mental quanto física. Todavia, a sociedade brasileira no século XXI discute o combate ao assédio moral no trabalho. Nessa perspectiva, é lícito apontar a permissividade estrutural e os problemas comunicativos como principais problematizadores desse contexto.
De início, cabe ressaltar a facilidade de comportamentos de assédio permitida pelo ambiente de trabalho. Isso ocorre porque, mesmo que esses atos sejam tanto contraproducentes para execução de tarefas quanto para o bom funcionamento da mente humana, o abuso moral no trabalho geralmente é praticado por algum membro de maior poder hierárquico ou por uma grande quantidade de membros de igual influência no local, fazendo que as minorias, sociais ou numéricas, sejam massacradas psicologicamente. Prova disso são dados coletados pelo Instituto de Pesquisa do Risco Comportamental, que mostram que mais de 50% dos brasileiros praticam ou toleram assédio moral. Logo, caso não haja entraves para esses cenários, o ambiente laborial sofrerá graves consequências.
Outrossim, vale analisar os problemas comunicativos gerados por falta de uma linguagem clara. Conforme Marshall Bertram ponderou em seu livro Comunicação Não-Violenta, o vocabulário base ensinado pela sociedade não apoia o estabelecimento de relações de parceria e cooperação, conduzindo a uma esfera de estresses e desentendimentos no trabalho. Infere-se, assim, que, mesmo que a intenção não seja a humilhação, o assédio moral muitas vezes é gerado por uma má escolha de palavras, guiando a um ambiente estressante, o qual os chefes, na mera tentativa de chamar atenção de um funcionário, podem humilhá-lo publicamente sem intenção repetidas vezes, causando danos psicológicos ao membro da equipe e também ferindo a sua boa produtividade. Portanto, se uma maior atenção não for dada às ferramentas utulizadas para comunicação, uma poderosa arma para combater o problema estará sendo ignorada.
Diante do exposto, é evidente a necessidade de esforços para mitigar o assédio moral no trabalho. Indubitavelmente, o Estado, por meio de checagens que serão feitas por órgãos reguladores, deve aplicar severas punições em empresas as quais funcionários estão sendo abusados moralmente, essas visitas ocorrerão mensalmente e colherão informações sobre o ambiente de trabalho, a fim de criar um ambiente não permissivo contra as péssimas condições de convivência. Ademais, é essencial que a grande mídia, por meio dos principais canais de comunicação, como rádio e televisão, divulgue fortemente as falhas comunicativas que ocorrem no ambiente de trabalho, com a finalidade de que subordinados e líderes estejam cientes dos perigos do mau uso de palavras.