Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 14/08/2021

Para Immanuel Kant, filósofo alemão, a ação moral deve ser pensada como princípio universal, ou seja, as atitudes morais de um indivíduo devem equivaler para todos. Sob essa óptica, torna-se inegável que o assédio moral no trabalho diverge completamente da moral Kantiana e deve ser combatido imediatamente. Logo, é notório destacar o menosprezo dado aos impactos psicológicos desse tipo de prática em consonância ao reflexo de uma sociedade que enaltece a hiper-produtividade como agravantes para a problemática.

A priori, é necessário ressaltar as consequências psicológicas do assédio moral como um dos pilares que sustentam essa prática absurda. Nesse cenário, Hipócrates, filósofo grego, expresso que o indivíduo saudável é aquele que apresenta uma saúde física e mental em equilíbrio. Dessa forma, torna-se indiscutível que o assédio moral não só contribui para a degradação da saúde de suas vítimas, como também catalisa os impactos socioemocionais que estes sofrerão.

A posteriori, vale destacar o reflexo da sociedade pós-institucional que cultua o excesso de produtividade como característica desejável no ambiente de trabalho, mesmo que isso tenha que ultrapassar o respeito com o próximo. Nesse contexto, o Fordismo ascendeu como um método de produção durante a Segunda Revolução Industrial, entretanto, contribuiu para a despersonalização dos operários na medida que estes estavam fadados à atividades repetitivas e cronometradas em suas linhas de montagem. Sob esse prisma, a sociedade hodierna impõe uma mega-produtividade, a qual traz infelizes consequências para todos os trabalhadores, dentre eles a possibilidade de ter sua moral arrasada em detrimento de melhores lucros, por exemplo.

Conclui-se, portanto, que as consequências psicológicas do assédio moral junto ao meio hiper-produtivo do trabalho convergem para a problemática. Assim, para que essa prática pífia não seja recorrente, urge que os Recursos Humanos investiguem e amparem denúncias de assédio por meio da criação de um canal de comunicação, de preferência digital e anônimo, entre esse órgão e os trabalhadores. Ademais, é dever da comunidade pressionar empresas e trabalhadores para que se atentem à saúde mental e desmistifiquem suas implicações na vida de todos. Somente dessa forma, a moral Kantiana poderá, enfim, contemplar também o ambiente do trabalho.