Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 14/08/2021

A Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) define que qualquer tipo de violência ao empregado é proibida em território brasileiro. Entretanto, conforme debatido por Gilberto Dimenstein, o Brasil possui muitas leis, mas poucas chegam a sair do papel. Dessa forma, o assédio moral no ambiente de trabalho vem crescendo no país, fazendo-se necessário encontrar caminhos para vencer tal realidade, a partir do combate a suas principais causas: a normalização e o sentimento de superioridade.

Em primeiro plano, cabe destacar a banalização do problema. Segundo Hannah Arendt, o ser humano tem uma tendência a normalizar situações ruins quando elas ocorrem com frequência. Sob essa ótica, ao considerar que quase 1/5 dos trabalhadores brasileiros relata não se importar com o assédio moral por ser algo rotineiro, conforme uma pesquisa do Instituto de Risco Fundamental, fica evidente que a teoria da “banalidade do mal” é perfeitamente aplicável à atualidade, impedindo que as vítimas reconheçam a gravidade do caso e reportem-no às autoridades. Infelizmente, isso atesta que o assédio moral advém da sua própria normalização.

Além disso, o sentimento de superioridade de muitas pessoas que ocupam cargos mais valorizados pelas grandes massas é outro fator agravante. Na novela “Cheias de Charme”, da Rede Globo, é narrada a história de três empregadas domésticas que se revoltam contra os maus tratos sofridos por elas nas casas onde trabalhavam, os quais eram justificados com soberba. Embora seja fictícia, essa situação não está restrita à televisão, pois discriminar alguém pela função social é um comportamento comum no Brasil, advindo não só dos patrões, mas da própria sociedade. Tal fato é revoltante e comprova que a sensação absurda de superioridade de alguns ocasiona o assédio moral no trabalho.

Portanto, sabendo disso, o Ministério da Educação deve amplicar a aplicação da pedagogia proposta por Paulo Freire nas escolas brasileiras através do estímulo a debates sobre a violência no ambiente profissional que ampliem a capacidade crítica do aluno, a fim de encorajar denúncias e de reduzir a normalização do problema. Esse projeto de ensino também precisa contemplar a “Semana da Profissão”, um evento em que os estudantes possam refletir acerca da função social de cada trabalhador, diminuindo a discriminação. Assim, os direitos da CLT poderão sair do papel.