Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 28/10/2021

George Orwell, em seu livro ‘‘A Revolução dos Bixos’’, mostra que os porcos, após a tomada da ‘‘Granja do Solar’’, aproveitam da sua posição de superioridade hierarquica e, gradativamente, vão colocando mais trabalho nas costas dos outros animais. Apesar de ser uma obra de ficção, ela não se distancia muito da realidade, na qual o assédio moral no trabalho é muito comum. Com isso, cabe analisar as causas e as consequências desse tipo de assédio a fim de combatê-lo.

Diante disso, é válido ressaltar que o assédio moral no trabalho está muito relacionado com o processo de demissão. Nessa perspectiva, em conformidade com os pensamentos neoliberais, o patrão -com obejtivo de fazer um corte de funcionários sem ter que arcar financeiramente com os direitos previstos pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho)- começa não só a sobrecarregá-los, como também a colocá-los em situações humilhantes por meio de piadas ou broncas. Dessa forma, ou o trabalhador aguenta os abusos ou acaba pedindo a conta e saindo sem nenhum direito.

Por consequência, caso o funcionário decidada ‘‘aceitar’’ esses abusos e se manter no emprego, os impactos psicológicos são enormes. Sob essa ótica, num país onde -segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistíca- quase 15% da população ativa está desempregada, muitos trabalhadores acabam tentando conviver com os abusos. Nesse sentido, a pressão sobre eles pode ser tão grande a ponto de desencadear a síndrome de burnout -uma exaustão completa em relação ao mundo laboral que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, é cada vez mais comum. Desse modo, sem conseguir voltar ao trabalho, esses indivíduos que passam por essa síndrome podem desenvolver outros problemas psicológicos, como a depressão.

Sendo assim, fica claro que o abuso no ambiente laboral é causado, principalmente, pela ganância nos processos de demissão e tem como consequência o abalo do psicológico das vítmas. Assim, para que esses abusos possam ocorrer com menor frequência, é fundamental que o Congresso Nacional, por meio de alterações nas leis da CLT, permita que, caso seja confirmado o assédio moral, o funcionário seja afastado, mas continue recebendo seu sálario por um período de 8 meses a 3 anos; esse período será determinado pelo júiz dependendo da gravidade de cada caso. Além disso, a empresa terá que bancar um psicólogo para esse funcionário durante o período determinado. Portanto, o cenário citado no livro de Orwell, ao menos no mundo real, poderá ser minimizado.