Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 24/08/2021

A solidariedade orgânica, para o sociólogo Émile Durkheim, é aquela que ocorre em uma sociedade com ampla divisão do trabalho, onde os indivíduos são interdependentes em diversos aspectos da vida, inclusive no moral. Segundo Durkheim, esse estado da sociedade apresenta a tendência de tornar os cidadãos mais individualistas e, consequentemente, aumentar a quantidade de conflitos, que são observados, por exemplo, nos casos de indivíduos que sofrem com o assédio moral no ambiente de trabalho.

Nesse sentido, é possível comparar a situação atual com a do período conhecido como “Primeira Revolução Industrial”, ocorrido entre os séculos XVIII e XIX. Por mais de quarenta anos, trabalhadores sofreram abusos físicos e psicológicos, com jornadas de trabalho extremamente longas e remuneração baixa, paralelamente, devido à falta de denúncias e problemas no processo de fiscalização, muitos funcionários ainda sofrem assédio moral de seus semelhantes ou superiores, tornando o ambiente de trabalho insalubre e hostil.

Além disso, as consequências do assédio moral extrapolam as jornadas de trabalho dos indivíduos, afetando também outros aspectos de suas vidas, como por exemplo, o relacionamento com a família. Tal situação demonstra o estado de “anomia”, descrito por Durkheim, onde há falta de regras e ordem e, mesmo afetando um grupo específico de pessoas, oferece perigo para toda a sociedade devido à interdependência.

Logo, para que o problema do assédio moral no trabalho seja resolvido, urge que o Governo Federal, por meio da união com sindicatos trabalhistas, crie postos de auxílio ao trabalhador, com a finalidade de aumentar o alcance da fiscalização e oferecer mais oportunidades de denúncia para as vítimas de assédio moral. Só assim será possível combater o estado de “anomia” social e garantir que os funcionários tenham um ambiente de trabalho sadio.