Combate ao assédio moral no trabalho
Enviada em 25/08/2021
Para discutir o assédio moral no trabalho, destaca-se uma figura da literatura portuguesa: Juliana, a dama de companhia de D. Luiza, da obra “O primo Basílio”. Nesse romance de Eça de Queirós, aquela submete-se a toda sorte de humilhação. Não há dúvida, assim, de que, atualmente, o assédio moral no trabalho é caracterizado como qualquer abuso que desagrada à dignidade do trabalhador. Sendo que tanto homens quando mulheres têm sido vítimas desse crime. Fora dos tabloides da ficção, o ambiente de trabalho tem se tornado desagradável e improdutivo. Dessa forma, dois fatores são imperiosos no que tange a essa violação: a postura agressiva dos patrões e colegas laborais e os assédios morais envolvendo homens e mulheres.
Em primeira análise, é inegável que os comentários e atitudes hostis do patrão e até dos parceiros de trabalho deterioram a saúde mental dos funcionários, os quais sentem-se frustrados, além de, com medo de perder o emprego, apoiarem agressões morais a outrem. No trabalho, piadas e comentários desagradáveis, além do funcionário sofrer com o abalo, este também sofrerá implicações na empresa em que este trabalha, podendo ocasionar baixa qualidade de serviço e diminuição da produtividade. Além disso, compromete a imagem e reputação da empresa junto ao mercado de trabalho e causam também dano econômico ao empregador.
Ademais, muito embora as mulheres sejam consideradas frágeis e indefesas, o assédio no trabalho também atinge os homens, símbolos estereotipados de força e coragem. As mulheres são endereçadas intimidações que, muitas vezes, atingem sua capacidade intelectual. Aos homens, por outro lado, as ofensas recaem, quase sempre, sobre sua masculinidade. Além disso, deve-se dizer que o ofensor acredita plenamente que seus atos são inconvenientes e frívolos, mas, movido pelo sadismo e pela inveja, procura prejudicar a vítima, agindo na contramão do bom senso, sendo essa a mais clara representação de falta da ética e da moral atuante na sociedade pós moderna.
Em epítome, para atenuar as consequências da cultura do assédio moral no trabalho, o poder público e a comunidade civil devem estabelecer uma parceria: enquanto as diversas esferas do Ministério do Trabalho e do Emprego empenham-se em legislar, fiscalizar e punir os assediadores, aos demais atores sociais cabe denunciar indícios de assédio moral, através de canais criados pelas empresas destinadas a essa função específica - como ouvidorias, 0800, e-mail, etc -, a fim de que seja estabelecido um ambiente de trabalho saudável, coibindo, dessa forma, o assédio moral, conduta altamente arbitrária, cruel e desumana.