Combate ao assédio moral no trabalho
Enviada em 27/08/2021
No filme “A assistente”, Jane é uma aspirante a produtora de cinema que é secretária de um magnata do ramo de entretenimento, e que diariamente percebe os abusos em relação ao seu cargo corporativo. Fora da ficção, in-felizmente, essa realidade é a de vários trabalhadores que são perseguidos moralmente por seus superiores e colegas de profissão. Sob esse viés, o si-lenciamento e o receio de denunciar são causas da questão.
Nesse contexto, a falta de debate é um desafio à problemática. O filósofo Michel Foucault afirma que na sociedade temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Visto isso, é nítido que o assédio moral em meio trabalhista é raramente discutido hodiernamente, pois, por trás deste grave problema está, majoritariamente, pessoas que mais pos-suem poder nas corporações, os patrões. Logo, esses agressores inviabi-lizam e omitem os abusos cometidos por eles para ficarem impunes, man-tendo essa construção horrível de assédio moral, como afirma o filósofo.
Ademais, outro fator latente ao problema é o receio de delatar. De acordo com o filósofo Immanuel Kant, o indivíduo deve agir segundo a máxima que gostaria de ver como lei universal. Contudo, as vítimas de perseguição moral são privadas de delatar os assédios sofridos em seus trabalhos, já que, regularmente, não há redes seguras de denúncias que garantam pro-teção a estes indivíduos. Isso fica evidente em dados do Instituto de Pes-quisa do Risco Comportamental, nos quais revelam que 41% dos partici-pantes iriam se omitir, mesmo vivenciando o assédio moral diariamente.
Portanto, é indispensável amenizar o quadro atual. Para isso, as grandes mídias devem divulgar, por meio de seus portais de comunicação, informações e pesquisas reais do problema – estas análises devem conter dados e entrevistas com vítimas que vivenciaram o assédio moral no tra-balho –, com intuito de que o problema não seja mais silenciado. Outrossim, o Estado deve criar um aplicativo de denúncias, a fim de garantir que estas vítimas sejam amparadas rapidamente. Só então realidades como a de Jane serão raridades na sociedade.