Combate ao assédio moral no trabalho
Enviada em 01/09/2021
A personagem Bridget Jones, do filme “O diário de Bridget Jones”, é vítima de assédio moral na empresa na qual trabalha. Do contexto cinematográfico à realidade brasileira, percebe-se que o abuso no trabalho é um fato vivido por inúmeros proletários que, por precisar do emprego, aceitam essas situações abusivas. Isso ocorre, seja pela luta de classes observada na sociedade hodierna, seja pela naturalização da conjuntura abusiva. Dessa forma, é necessário que essa chaga social seja resolvida, a fim de que o longa-metragem norte-americano não mais reflita o cenário atual da nação.
Sob essa perspectiva, é válido citar a influência dos conflitos entre as camadas sociais no ambiente laboral. Conforme citou Karl Marx, “A história da sociedade até os nossos dias é a história da luta de classes". Assim, infere-se que as relações entre empregados (almejam salário digno e os direitos trabalhistas) e empregadores (visam o lucro) jamais serão harmoniosas, visto que ambos possuem objetivos opostos e inconciliáveis. Esse fato pode ser observado na pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa do Risco Comportamental (IPRC), que mostra que “Mais da metade dos profissionais brasileiros pratica ou tolera assédio em seu ambiente de trabalho.” Desse modo, é imprescindível que, para a refutação da teoria do filósofo alemão, essa problemática seja revertida.
Ademais, a habituação aos casos de assédio intensifica a ocorrência desses. Segundo a filósofa Simone de Beauvoir, “O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Essa afirmação permite concluir que, devido ao grande número de crimes de assédio observados nas empresas do Brasil, ocorre a naturalização da conjuntura, o que atrapalha a solução da problemática. Isso pode ser comprovado na pesquisa feita pelo Instituto Patrícia Galvão obtida pelo G1, no qual 40% das mulheres dizem que já foram vítimas de assédio no trabalho. Dessa maneira, esse panorama urge ser solucionado para que o conceito de Beauvoir seja contestado.
Portanto, algo precisa ser feito com urgência para solucionar a problemática abusiva em questão. Logo, o Ministério do Trabalho - órgão responsável por gerir as relações entre empregados e donos de empresas -, em parceria com psicólogos, por meio de propagandas televisivas e anúncios nas redes sociais, devem realizar campanhas de conscientização acerca das situações desagradáveis e incentivar a denúncia proletária. Dessa maneira, os índices de assédio moral no trabalho diminuiriam e a sociedade tornaria-se mais harmônica nos ambientes laborais. Consequentemente, a realidade de Bridget Jones não mais representaria a dos brasileiros.