Combate ao assédio moral no trabalho
Enviada em 05/09/2021
Em meados do século XVI, um dos mais importantes preceitos ditados pelo Calvinismo seria o que afirmava a garantia da salvação divina através do trabalho, pois acreditava-se que quem se dedicou prioritariamente ao labor estava apto a receber as maiores bençãos de Deus. A partir desse contexto, o ambiente laboral, por ter relevância religiosa, precisaria ser um lugar hóspito, para, assim, garantir o bem estar de seus trabalhadores. Todavia, o assédio moral no ambiente de trabalho é um problema vigente, não só decorrente da hierarquia de poderes, como também impulsionado pela falta de assistência psicológica.
Em primeira análise, cabe mencionar a hostilidade que o meio de produção capitalista provocou, desde o período das Grandes Navegações, com o capitalismo comercial, até os dias de hoje. Haja vista o cenário econômico, político e social, marcados pela competitividade, ganância, luxúria, entre outros. Dessa forma, tais aspectos também são retratados no ambiente de trabalho, por meio dos abusos associados principalmente à hierarquia de poder. Como, por exemplo, as denúncias de assédio moral feitas por uma secretária do presidente interino da Confederação Brasileira de Futebol, cujo foi acusado de fazer a vítima passar por diversas situações humilhantes e constrangedoras, o que resultou na expulsão do cargo dele. Logo, fica nítida a importância de denunciar e combater comportamentos nocivos como esse.
Em segunda análise, torna-se evidente os malefícios à saúde psicológica dos funcionários que são vítimas dessa forma de agressão. Exemplo disso são os diversos transtornos mentais que podem ser desenvolvidos ou agravados, como a ansiedade, a síndrome do pânico e a depressão. Embora as consequências dessa problemática sobrecaiam até mesmo no desempenho da empresa, pouco é feito para resolver o impasse. Destarte, é necessário repensar sobre essa inércia, a fim de tratar a saúde mental como prioridade.
Urge, portanto, medidas para combater o assédio moral no trabalho. Por isso, cabe ao Setor Legislativo criar uma lei para ser incorporada junto aos direitos trabalhistas, garantindo o acompanhamento psicológico gratuito, realizado por profissionais contratados pelo Estado. Além disso, para o sucesso dessa medida, as consultas devem ser feitas de maneira acessível a todos, podendo ser facilmente encontradas em centros de saúde, escolas ou universidades públicas. Assim, o ambiente profissional estará mais empenhado, hóspito e amigável, alcançando a comodidade pretendida pelo ideal Calvinista.