Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 19/09/2021

Segundo Thomas Hobbes, filósofo contratualista, o Estado deve manter o bem-estar dos indivíduos. Entretanto, no que diz respeito aos trabalhadores, essa instituição tem falhado em assegurar tal proposta, uma vez que, diversos funcionários, são expostos ao assédio moral em seu ambiente de trabalho. Destarte, é fulcral destacar que esse problema é gerado pela forte hierarquização entre patrão e subordinados, resultando em prejuízos à saúde física e mental dos assediados.

Em primeiro plano, vale salientar que o assédio moral é motivado pelas relações horizontais entre burgueses e operários, marcadas pela imposição de superioridade daqueles em relação a estes. Nesse sentido, o sociólogo Karl Marx afirmou que os patrões exploram os trabalhadores com o único intuito de acumularem riquezas. Indo ao encontro do teórico, percebe-se que tal busca pelo lucro faz com que os empresários pressionem seus empregados a sempre buscarem resultados extraordinários, para manterem a empresa competitiva dentro da lógica capitalista. No entanto, quando os rendimentos obtidos são inferiores ao esperados, os chefes culpam exclusivamente os subordinados, expondo-os a situações desgastantes e, muitas vezes, humilhantes. Tal cenário corrobora a teoria do filósofo sul coreano Byung-Chul Han, na qual a sociedade está demasiadamente cansada pela necessidade constante de serem os melhores em todas as áreas da vida, sobretudo, na profissional.

Ademais, em segundo plano, é lícito analisar que, como impacto do assédio moral, há prejuízos à saúde dos empregados. Sob esse viés, a presença de um ambiente marcado pela pressão e pelo desrespeito força os funcionários a serem produtivos acima de suas capacidades corporais e mentais, gerando um ciclo vicioso, no qual a busca por uma maior produtividade somada ao esgotamento físico gera um rendimento mínimo, o que desagrada ao patrão e retroalimenta o círculo. Esse contexto, infelizmente, é comum no mercado de trabalho hodierno, uma vez que o Brasil é o 2º país com maior número de pessoas afetadas pela Síndrome de Burnout, distúrbio emocional causado pelo estresse e pela fadiga dos profissionais, conforme a Internacional Stress Management Association (ISMA-BR).

Portanto, a fim de reduzir o assédio moral no trabalho é essencial que a Organização Internacional do Trabalho, em parecia com os Ministérios de Trabalho dos países, crie centros - físicos e virtuais- de acolhimento para os funcionários, para que eles denunciem situações humilhantes e tenham amparo de advogados e de profissionais da saúde para tratarem de possíveis sintomas da Síndrome de Burnout, por meio do repasse de verbas dos ministérios locais, que arrecadarão dinheiro pelo corte de gastos supérfluos, por exemplo, o auxílio-terno de deputados no Brasil. Assim, o mundo dará um primeiro passo à eliminação dos abusos e os trabalhadores terão o seu bem-estar garantido.