Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 22/09/2021

De acordo com Thomas Hobbes, filósofo contratualista, o Estado deve manter o bem-estar dos indivíduos. Entretanto, no que diz respeito aos trabalhadores, essa instituição tem falhado em assegurar tal proposta, uma vez que diversos funcionários são expostos ao assédio moral em seus ambientes de trabalho. Destarte, é fulcral destacar que esse problema é gerado pela forte hierarquização entre patrão e subordinados, o que resulta em malefícios à saúde física e mental dos assediados.

Em primeiro plano, vale salientar que o assédio moral é motivado pelas relações verticais entre burgueses e operários, marcadas pela imposição da superioridade daqueles em relação a estes. Conforme o sociólogo Karl Marx, os patrões exploram os trabalhadores com o único intuito de acumularem riquezas. Nesse sentido, a busca pelo lucro faz com que os empresários pressionem seus empregados a sempre buscarem resultados estratosféricos, para manterem a empresa competitiva dentro da lógica capitalista. Contudo, quando os rendimentos obtidos são inferiores aos esperados, os chefes culpam exclusivamente os subordinados, expondo-os a situações que são, muitas vezes, humilhantes. Exemplo disso pode ser visto no filme norte-americano " O Diabo Veste Prada", o qual evidencia as atitudes autoritárias e desrespeitosas dos chefes em relação aos subordinados.

Ademais, em segundo plano, é lícito analisar que, como impacto do assédio moral, há prejuízos à saúde dos empregados. Sob esse viés, a presença de um ambiente marcado pela pressão força os funcionários a serem produtivos acima de suas capacidades corporais e mentais, gerando um ciclo vicioso, no qual a busca por uma maior produtividade somada ao esgotamento físico gera um rendimento mínimo, o que desagrada ao patrão e retroalimenta esse círculo. Esse contexto, infelizmente, é comum no cotidiano dos trabalhadores, uma vez que o Brasil é o 2º país com maior número de pessoas afetadas pela Síndrome de Burnout, distúrbio emocional causado pelo estresse e pela fadiga dos profissionais, segundo a Internacional Stress Management Association (ISMA-BR). Tal dado demonstra a prevalência de um ambiente disfuncional, de maneira que não há equilíbrio entre produção intelectual e limitação física.

Portanto, a fim de reduzir o assédio moral no trabalho, é essencial que a Organização Internacional do Trabalho, em parceria com os Ministérios de Trabalho dos países, crie centros - físicos e virtuais- de acolhimento aos funcionários,  com a presença de advogados e de psicólogos, para que denunciem situações humilhantes, por meio do repasse de verbas dos ministérios locais, que arrecadarão dinheiro pelo corte de gastos supérfluos, por exemplo, o auxílio-terno de deputados no Brasil. Assim, o mundo dará um primeiro passo à eliminação dos abusos e os trabalhadores terão o seu bem-estar garantido.