Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 22/09/2021

A Consolidação das Leis Trabalhistas em 1943, no Governo Vargas, representou um grande marco histórico brasileiro, visto que abordou questões relacionadas aos direitos dos empregados. No entanto, a ausência de aprofundamento acerca do assédio moral no ambiente de serviço desvaloriza as reminiscências varguistas. Nesse sentido, o uso do poder hierárquico e a sobrecarga dos funcionários potencializa as humilhações empregatícias no Brasil.

Em primeiro lugar, o uso da hierarquia, como forma de manipulação dos funcionários, representa uma realidade concretizada. Do mesmo modo, observa-se o filme Tempos Modernos, protagonizado por Charlin Chaplin, o qual aborda os constantes insultos do chefe contra os operários. Dessa maneira, a materialização da obra cinematográfica na realidade brasileira é evidenciada no processo de submissão dos trabalhadores a diversas situações desmoralizantes, as quais são vindas do patrão que tem, por objetivo, diminuir o seu subordinado. Dessa forma, o medo de perder o emprego, associado à aceitação de humilhações de superiores, contribui para uma maior probabilidade de geração de doenças emocionais.

Além disso, a sobrecarga promovida pela jornada de trabalho extensiva potencializa a importunação moral do contratado. Desse modo, a obra Sociedade do Cansaço, produzida pelo filósofo Byung-Chul Han, aborda o processo de “glamourização” das atividades empregatícias excessivas. Logo, a personificação filosófica no panorama brasileiro é analisada no crescimento da rotina dos empregados, motivada pelo chefe e vista como essencial para a ascensão no mercado trabalhista. Assim, a percepção do assédio moral como um problema a ser abordado passa a ser menosprezado pela ampla competitividade entre os funcionários.

Portanto, de acordo com os argumentos supracitados, evidencia-se a importância de medidas interventivas para uma “lente de aumento” sobre o assédio moral como um problema a ser combatido.  Para isso, o Ministério Público do Trabalho, em conjunto com as instituições midiáticas, deve investir em propagandas que discutam acerca dos insultos no ambiente trabalhista como um fato a ser combatido, a partir da abordagem do  significado dessa conduta, a qual despertará os indivíduos para reconhecer a adversidade e, dessa forma, tomar medidas para combatê-la. Além do mais, o mesmo ministério deve atuar na aplicação de canais de denúncias, por meio de aplicativos exclusivos que ajudem o empregado a reconhecer determinada exploração ou sobrecarga pela qual está sendo submetido,  garantindo, assim, uma menor frequência de humilhações no meio empregatício.