Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 24/09/2021

Para Platão, filósofo grego da Antiguidade, a qualidade de vida ultrapassa a própria existência, pois, para ele, o importante não é viver, mas viver bem. Sob tal ótica, o assédio moral no trabalho, sobretudo no Brasil contemporâneo, representa um grande obstáculo à concretização desse ideal na vida de muitos indivíduos, o que configura um grave problema. Isso se explica não só pela ineficiência do Estado, mas também pela existência de preconceito dos mais diversos gêneros no ambiente profissional. Assim, para combater essa problemática, é fundamental a análise de tais fatores.

A princípio, é imperioso destacar que o tema em questão é fruto da ineficiência estatal. Nesse sentido, John Locke afirma que “as leis fizeram-se para os homens e não para as leis” para justificar a necessidade da intervenção governamental no cumprimento da lei. Entretanto, com a inoperância das esferas de poder, isto é, com a falta de fiscalização das relações profissionais, verifica-se que o trabalhador fica cada vez mais vulnerável a episódios humilhantes e degradantes. Em virtude disso,  devido ao assédio moral recebido, muitos indivíduos optam por abrir mão de seu emprego, o que comumente resulta em dívidas, problemas familiares e até emocionais. Logo, urge que a alteração desse quadro ocorra de imediato.

Ademais, a discussão em curso deriva ainda do preconceito existente no ambiente de trabalho. A esse respeito, para Albert Einstein, é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito. Nesse viés, observa-se que a capacitação profissional de muitas pessoas é colocada em dúvida devido ao preconceito de gênero, racial, étnico, religioso e tantos outros, os quais estão enraizados na cultura social. Desse modo, motivados por um sentimento de superioridade, os agressores desmoralizam os colegas de trabalho e os funcionários com palavras ofensivas e gestos inadequados que vão contra a individualidade de cada um. Consequentemente, as vítimas desses atos sofrem inúmeros danos psicológicos severos que podem evoluir para depressão e, no pior dos casos, ocasionar o suicídio.

Portanto, de modo a garantir a integridade profissional e psicológica dos trabalhadores, medidas devem ser tomadas contra o assédio moral no Brasil. Primeiramente, compete ao Ministério do Trabalho a fiscalização mais rígida dos ambientes profissionais, com aplicação de multas severas a todo aquele que for identificado cometendo o ato. Isso deve ser feito por meio da abertura de canais de denúncia contra o assédio moral - os quais devem funcionar 24 horas por dia e ser de fácil acesso -  para que o meio de trabalho seja mais saudável e tenha mais proteção. Além disso, mediante a denúncia de agresseores, é dever de cada cidadão o combate contra atitudes de preconceito que desqualifiquem os trabalhadores.