Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 26/09/2021

São Tomás de Aquino defende que as pessoas precisam ser tratadas com a mesma importância. Porém, a dificuldade de combate ao assédio moral no trabalho contraria o ponto de vista do autor, uma vez que, no Brasil, esse grupo tem sido vítima de situações humilhantes e constrangedoras no ambiente de trabalho em detrimento do sentimento de superioridade de uns sobre os outros. Nessa perspectiva, torna-se evidente que a concretude de problema vem em virtude da supervalorização da produtividade e pelo receio de denunciar.

Convém ressaltar, a pincípio, que valorização excessiva do alto desempenho é um fator determinante para a persistência do problema. Conforme o sociológo contemporâneo, Byung-Chul Han, a sociedade atual é caracterizada como a “Sociedade do desempenho”, haja vista que intuito motivador dela é a produtividade. Ele entende, então que a busca pelo alto desempenho é supervalorizado, ideologia esta que tem desencadeado esgotamento por parte dos empregados devido as exigências excessivas por parte dos patrões, muitas vezes convertidas em condutas abusivas por causa do sentimento de superioridade que os “comandantes” têm sobre os “comandados”. Sob essa lógica, nota-se o resultado da tendência de produção e reprodução capistalista, estudada por Karl Marx, dado que há alienação do sujeito em relação ao que ele faz, resultado da hierárquia verticalizada e da valorização apenas do produto final, sem preocupar-se com o bem-estar do servidor.

Outrossim, o medo de denunciar por parte dos trabalhadores agrava ainda mais a situação. Sob esse viés, o imperativo categórico de Kant, preconiza que o indivíduo deve agir apenas segundo a máxima que gostaria de ver transformada em lei universal. No entanto, no que tange à questão do combate ao assédio moral no trabalho há uma lacuna no dever moral quanto ao exercício da denúncia. Nesse sentido, o longa “Diabo Veste Prada”, exemplifica bem essa situação, na medida em que a chefe de uma empresa de moda age de uma forma totalmente brutal e tóxica com seus contratados, contudo ninguém se impõe por medo de serem demitidos, corroborando para uma série de prejuízos emocionais para eles, demonstrando a realidade encontrada em muitos ambientes de trabalho.

É indubitável, portanto, que as dificuldades de combater episódios de assédio moral no trabalho devem ser superados. Para esse fim, o Ministério do Trabalho, orgão responsável pela seguridade dos direitos trabalhistas, juntamente com as mídias sociais, devem realizar campanhas que divulguem canais de denuncias, tanto via celular, quanto online, por meio de publicações na redes sociais e transmissões ao vivo, com a finalidade de explicar e exemplicar casos de assédio moral e a importância de denunciar, mesmo que anonimamante, para que visão de São Tomás de Aquino seja alcançada.