Combate ao assédio moral no trabalho

Enviada em 08/10/2021

Segundo o sociólogo Émile Durkheim e ó conceito de solidariedade orgânica, o trabalho é fundamental para a coesão social. No entanto, ao analisar as presentes relações trabalhistas, percebe-se um convívio hostil, marcado pela violência e o abuso de poder. Nesse sentido, a normalização de atitudes autoritárias, em conjunto com a falta de informações acerca do tema, proporcionam situações traumáticas para os trabalhadores, principalmente as mulheres, que mais sofrem com os abusos.

Salienta-se, em primeiro plano, que a questão do assédio moral no trabalho não é, de forma alguma, um problema atual. Graças a isso, houve um processo gradativo de anestesiamento social, o qual permitiu a trivialização de relações abusivas entre chefes e funcionários. Sob essa ótica, a pensadora contemporânea Hanna Arendt tece sua teoria a respeito da banalização do mal, e as consequências sociais que ela gera. Conforme a autora, quem prática o abuso não o faz por pura maldade, mas sim pela carência de racionalidade nas ações e pelo desconhecimento sobre as consequências que elas podem gerar para a vítima. Dessa forma, torna-se evidente que a informação deve ser a principal arma a ser utilizada no combate ao assédio.

Ademais, é perceptível que a parcela social que mais sofre com atentados à dignidade é a do sexo feminino. Esse grupo, historicamente, é dito como uma minoria, não no sentido quantitativo, mas antropológico. O fato pode ser explicado pelo fenômeno da “invisibilidade social”, proposto por Simone de Beauvoir,o qual expõe os frutos amargos que um passado pautado por hierarquias patriarcais gera boa dias de hoje. Nessa perspectiva, a visão que impera sobre as mulheres é a do “sexo frágil”, tornando-as mais suscetíveis a agressões, principalmente no ambiente de trabalho.

Infere-se, portanto, que medidas sejam tomadas para a amenizar o quadro atual. Para tanto, o Estado, utilizando-se das mídias sociais, deve promover campanhas de conscientização, tendo como público alvo os trabalhadores, para que esses entendam seus direitos e saibam como e aonde denunciar os assédios sofridos. De mesma forma, ações preventivas, como a realização de palestras com especialistas na área, devem ser oferecidas pelas empresas, possibilitando maior compreensão geral sobre o tema. Assim, com maior harmonia, as relações trabalhistas se tornarão mais orgânicas e, consequentemente, melhores e mais coesas.